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Rabid – Enraivecida na Fúria do Sexo ( 1977 )

 

 

Ano: 1977

 

Direção: David Cronenberg

 

Elenco: Marilyn Chambers, Frank Moore, Joe Silver

 

 

 

Loira, olhos azulados, bonita, corpo comum sem exageros voluptuosos, jovem e com cara de garota comum e acessível no melhor estilo “Girl Next Door” americano. Dona de todas estas características, Marilyn Chambers mudou a história do cinema pornô ao fazer cenas de sexo explícito no imortalizado “Atrás da Porta Verde” em 1972. Após virar uma estrela mundial, os produtores de Rabid viram na história do filme um potencial para Marilyn, fazendo o diretor canadense David Cronenberg testá-la no papel.

Lançado no Brasil com o subtítulo caça-níquel de Enraivecida na Fúria do Sexo, com o claro intuito comercial de lucrar em cima da fama dela vinda pelo gênero pornô, Rabid é um ótimo filme de baixo orçamento mas que já evidenciava o potencial de Cronenberg.

Tradicional na filmografia dele, a relação de horror entre a pessoa X modificações corporais acontece aqui quando uma cirurgia plástica experimental resulta em um desastre. Este tema voltaria em outros clássicos do diretor como A Mosca, por exemplo.

Rose, a personagem principal vivida por Marilyn, sofre um grave acidente de moto. Resgatada pela ambulância de uma clínica particular, o médico avalia que não daria tempo de levá-la até o hospital mais próximo. O doutor decide então arriscar na própria clínica, onde ela é submetida a um implante experimental. Rose resiste ao acidente, mas volta com uma estranha sede de sangue. Enquanto vai descobrindo o que está acontecendo com o próprio corpo, que já não consegue mais digerir alimentos comuns, Rose vai infectando outras pessoas que espalham a doença pela cidade. O governo acredita ser um surto de raiva e o controle diante do pânico é encurralar a população, nem que para isso seja preciso matar pessoas e despejá-las em caminhões de lixo.

Diante do caos instaurado, Cronenberg mescla o horror que vai desde as relações pequenas e pessoais como também na paranoia entre forças militares e população.

Como em todos os filmes de Cronenberg, há sempre um pano de fundo questionador social. Apesar de ter sido lançado em 1977, Rabid é um filme bastante atual ao encontrar eco em uma sociedade vaidosa e capaz de fazer mudanças assustadoras no próprio corpo em busca de satisfação pessoal, dinheiro e fama. Talvez, daqui algumas décadas, Rabid seja ainda mais atual….e potencialmente mais assustador.

NOTA DO EDITOR: 8,0

 

CENAS MEMORÁVEIS: ( Podem conter spoiler )

  • Não é sempre que vemos um dedo sendo cortado por uma tesoura cirúrgica.

           

 

TRAILER:

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Mystics In Bali ( 1981 )

 

 

Ano: 1981

 

Direção: H. Tjut Djalil

 

Elenco: Ilona Agathe Bastian, Yos Santo, Sofia W.D.

 

 

 

Esquisitão. Talvez esta seja uma palavra que consiga definir o que é Mystics in Bali, um obscuro e cultuado terror indonésio cheio de cenas absurdas e estranhas. O filme tem muitas cenas com humor involuntário graças aos efeitos especiais amadores e aos notáveis erros do filme.

Após escrever um livro sobre vodu na África, uma jovem escritora americana se aventura em Bali para descobrir a magia Leák, considerada a mais primitiva e perigosa de todas. Para isso, ela precisará se submeter a uma velha e poderosa praticante cujas intenções acabam se mostrando perturbadoras.

Um dos poderes do Leák é a capacidade de se transformar em qualquer coisa. Como consequência, vemos os personagens virando porcos, cobras e seres simplesmente fantásticos, alguns grotescos.

O mais impactante é sem dúvida quando a personagem principal vira uma penanggalan. Nada conhecido pelo ocidente, o mito da penangallan no folclore malaio é de uma mulher normal de dia mas que a noite vira uma vampira cuja cabeça sai voando, junto com a coluna vertebral, para chupar sangue. Por ser algo muito diferente para nós e os efeitos realmente não ajudarem, estes momentos acabam sendo as cenas mais marcantes do filme, que resumem a experiência visual que é ver Mystics in Bali.

Exatamente nesta “esquisitice” está o frescor do filme. O terror pulsante em uma cultura com hábitos e medos totalmente diversos transformam Mystics in Bali em uma obra quase sociológica. O enredo passa pelos preceitos religiosos, sociais e folclóricos pertinentes para a Indonésia.

A consideração final é de que esta joia rara e pouco conhecida merece ser vista como objeto de curiosidade e entretenimento puro, certamente recomendada para os fãs do gênero.

NOTA DO EDITOR: 7,5

 

CENAS MEMORÁVEIS: ( Podem conter spoiler )

  • Não é sempre que vemos cabeça voando como se fosse algo normal.

           

 

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Buio Omega ( Beyond the Darkness ) – 1979

 

 

Ano: 1979

 

Direção: Joe D’amato

 

Elenco: Kieran Canter, Cinzia Monreale, Franca Stoppi

 

 

 

Dono de uma densa filmografia com quase 200 filmes só como diretor, Joe D’amato é um daqueles cineastas que nunca foi levado a sério pela crítica mas é extremamente cultuado pelo mundo B do Cinema.

Nesta longa lista de filmes marcada pelo gênero erótico, há subprodutos de Emmanuelle, uma grande quantidade de filmes com a Laura Gemser ( considerada a Emmanuelle negra ), explícitos, eróticos com terror e simplesmente terror.

Exatamente um destes terror, com doses de erotismo, é o cultuado e polêmico Buio Omega, que recebeu o título em inglês de Beyond the Darkness.

Com uma história por si só provocativa, D’amato recheia o filme com cenas gores, desvios de comportamento e flerta com o bizarro constantemente.

A trama envolve um jovem órfão e taxidermista ( profissional que empalha animais ) que perde a namorada de forma precoce. Inconformado, ele resolve roubar o corpo dela do cemitério, empalhar e trazer para morar com ele na mansão.

Logo de cara, a cena em que ele transforma o corpo em uma espécie de boneca pode provocar repulsa. Há gore e até um canibalismo latente.

Junto com o jovem, na mansão, mora a sinistra governanta com a qual ele mantém um relacionamento doentio. A chegada da falecida irá despertar ciúmes e provocar uma espiral de mortes, chantagem e situações mórbidas.

Nesta história de Frankenstein repaginada, por mais que o roteiro tenha muitas fragilidades, o talento de D’amato tem momentos inspirados que resultam em cenas marcantes. Não é apenas um filme de terror provocativo, os personagens tem camadas dramáticas e densidade.

Ainda que desaconselhável para pessoas mais sensíveis, Buio Omega pode ser entendido como um romance mórbido com terror visceral. Literalmente.

NOTA DO EDITOR: 7,5

 

CENAS MEMORÁVEIS: ( Podem conter spoiler )

  • Unhas sendo arrancadas com alicate, corpos dissolvendo, tem várias.

           

 

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O Visitante Noturno ( The Night Visitor ) – 1971

 

 

Ano: 1971

 

Direção: Laslo Benedek

 

Elenco: Max von Sydow, Liv Ullmann, Trevor Howard

 

 

 

Antes de tudo, vale pontuar que O Visitante Noturno não é um filme de terror mas sim um thriller policial com muito suspense e, acredite, um pouco de slasher.

Nesta produção sueca, temos Liv Ullmann, eterna musa de Ingmar Bergman, e o veterano Max von Sydow.

O filme começa com Sydow fugindo da prisão. Ele adentra uma casa, aparentemente por acaso, apenas para se esconder e fugir do frio. Descobrimos na sequência que aquela era a antiga casa dele, uma propriedade rural na qual vivia com as irmãs. Acontece que ele, alcóolatra, era uma pessoa que não sabia administrar a propriedade. As irmãs, junto com o marido inescrupuloso de uma delas, montaram uma forma de Sydow ser preso injustamente pelo assassinato de um lavrador. Começa assim uma história de vingança, muito bem elaborada, por um pessoa inocente que não tem mais nada a perder e cuja injustiça pela qual passou a tornou visivelmente perturbada.

A trama se desenvolve lentamente. O quebra-cabeça do que aconteceu e qual é o plano de vingança é entregue aos poucos para o espectador, com uma ótima construção de suspense. O carismático Max von Sydow, presença sempre marcante na tela, constrói um personagem ambíguo cuja vingança é condenável, mas ainda assim o espectador se sente cúmplice, algumas vezes, daquele plano engenhoso.

O clima sueco, sempre com muita neve, frio, solidão e silêncio, é o cenário ideal para a história. Como o fugitivo usa a noite para visitar os responsáveis pela prisão dele, parece sempre haver pouca esperança e redenção para o personagem. O clima denso é sem dúvida o grande acerto do filme.

Por coincidência, ou talvez não, Sydow que ficou imortalizado pela cena na qual joga xadrez com a Morte em O Sétimo Selo, neste filme também faz um personagem que joga xadrez. Desta vez, não para enganar a Morte, mas sim para fugir da prisão em uma ótima sequência capaz de fazer inveja a Michael Scofield, da série Prison Break.

Filmado sem intenção de ser grandioso, como toda boa produção sueca o foco são os personagens/diálogos. O elenco de peso consegue criar personagens fortes, trazendo uma humanidade crua que faz O Visitante Noturno virar quase um filme de terror ao explicitar que, por ódio, uma pessoa é capaz de tomar as mais assustadoras atitudes.

NOTA DO EDITOR: 8,0

 

CENAS MEMORÁVEIS: ( Podem conter spoiler )

  • A fuga da prisão é uma excelente sequência.

 

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Seduzidas pelo Demônio ( 1978 )

 

 

Ano: 1978

 

Direção: Raffaele Rossi

 

Elenco: Padre Quevedo, César Roberto, Ivete Bonfá, Afonso Arrichielo

 

 

 

 

Raffaele Rossi foi um diretor italiano que fez várias chanchadas no Brasil, dentre elas, um episódio do longa Coisas Eróticas e o próprio Coisas Eróticas 2. Em Seduzidas pelo Demônio, Rossi mantém o gênero erótico mesclado com um pouco de terror.

Contado em flashback, acompanhamos um julgamento em que uma aluna, que tem um caso amoroso com o professor, é acusada de ter matado a ex-esposa dele. Para apimentar ainda mais, esta mesma aluna é a atual namorada do filho adotivo do professor.

Com uma história desnecessariamente rocambolesca, o roteiro já confuso torna o filme ainda mais “difícil” para o espectador. Os fatos vão ganhando versões sobrenaturais quando descobrimos que o filho adotivo, na verdade, foi uma criança salva de um ritual satânico. Apresentando um comportamento estranho desde pequeno, os pais adotivos passam o garoto em exames clínicos ( claramente uma referência ao O Exorcista ), em padres católicos, mais precisamente no Padre Quevedo que faz aqui uma participação especial e por fim em um terreno de macumba, na forma mais popular e erroneamente imaginária da época. Na macumba, temos uma cena na qual o menino levita, cópia descarada de O Exorcista mas pessimamente executada. Para se ter uma ideia, o menino levita de forma irregular, pendendo as vezes para um lado e logo para o outro lado.

A produção, já barata, se perde em uma fotografia que visivelmente se mostra sem recursos. As cenas da floresta foram retiradas do filme The Demon Blood, pasmem, SEM autorização. Os atores simplesmente dizem as frases, não há uma única atuação louvável. A montagem privilegia cortes absurdamente desnecessários apenas para mostrar um bumbum feminino ou buscar um ângulo mais erótico. Como em toda chanchada, tudo se resolve com sexo.

A parte do terror deixa muito a desejar. A fantasia de Demônio é mais que amadora, chega a ser cômica de forma involuntária. As mortes são pouco inspiradas, basicamente enforcamento com sangue falso na boca. A atuação do personagem possuído é esquizofrênica, ao invés de você torcer para que ele se salve, a encenação é tão gritada e irritante que o espectador com certeza vai torcer para que o capeta acabe logo com aquele ser insuportável.

Para criar o sobrenatural, são usados os truques mais primários do Cinema, como por exemplo um corte seco no qual a pessoa “some” ou colocar os atores bem próximos da lente angular para criar aquela deformidade nas laterais.

Seduzidas pelo Demônio, apesar de seus citados defeitos, não deve ser menosprezado, mas é um filme que serve apenas como curiosidade já que um terror nacional naquele período não era tão comum.

NOTA DO EDITOR: 5,0

 

CENAS MEMORÁVEIS: ( Podem conter spoiler )

– Não há.

           

 

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