Um site sobre filmes, livros e obras de Terror

Pavor na Cidade dos Zumbis ( 1980 )

 

 

Ano: 1980

 

Direção: Lucio Fulci

 

Elenco: Christopher George, Catriona MacColl, Carlo de Mejo

 

 

 

Primeiro filme da chamada Trilogia dos Zumbis, Pavor na Cidade dos Zumbis é mais um célebre filme do talentoso Lucio Fulci. Não são sequências diretas, mas Terror nas Trevas e por último A Casa dos Mortos Vivos fecham esta trilogia.

Com uma versatilidade elogiável no curriculum, Fulci dirigiu faroestes cults como Sela de Prata ( exemplo clássico de western spaghetti ), giallos diferenciados como Uma Lagartixa num Corpo de Mulher e ainda outras obras do gênero “filmes de máfia” e até comédias sexys.

Quando dedicado ao terror, Fulci sempre impressionou com mortes violentas, cenas de extremo gore, uma boa mão para manter o clima de suspense e movimentos clássicos de câmera que são marcas registradas do diretor, como zooms vertiginosos e closes de olhares. Tudo isso se encontra em Pavor na Cidade dos Zumbis.

Durante uma sessão em Nova Iorque, uma médium vê um padre se enforcar dentro de um cemitério em Dunwich. Isso é o suficiente para abrir as portas do inferno, já que a cidade de Dunwich fica sobre as ruínas de Salem onde bruxas foram queimadas no passado.

Após o suicídio do padre, coisas estranhas, desaparecimentos e mortes se espalham pela cidade cujo habitantes não sabem o que está acontecendo.

A médium se junta a um jornalista para descobrir onde fica a cidade que viu durante a sessão, com o intuito de irem até lá para ajudar as pessoas.

Longe de ser uma história marcante, Fulci compensa com seu terror pesado., trazendo ainda a carga dos anos 70 mas já ditando um pouco como seria o terror dos anos 80. Esta mistura, nas mãos de Fulci, dá muito certo graças ao seu talento visual que nos faz deixar de lado os deslizes do enredo e até mesmo algumas cenas ingênuas e dispensáveis.

Além dos zumbis, que são a encarnação física do mal, o filme traz algumas manifestações fantasmagóricas surreais que seriam presença constante no terror anos 80. No melhor estilo que seria consagrado em Poltergeist, aqui temos paredes que racham misteriosamente, paredes que sangram e poças de sangue que brotam no teto.

Contemporâneo de outro cineasta também italiano, Dario Argento, Fulci nunca se preocupou em esconder a antipatia pelo “rival”, fazendo críticas aos filmes e ao próprio Argento como pessoa. Desta rivalidade e pela bela cinematografia de ambos, fica claro que os fãs do gênero terror foram os que mais saíram ganhando.

NOTA DO EDITOR: 7,5

 

CENAS MEMORÁVEIS: ( Podem conter spoiler )

Furadeira, sempre um problema em filme de terror.

          

 

TRAILER:

OBSERVAÇÃO: Este site NÃO disponibiliza filmes, livros e nem jogos para download.
Qualquer dúvida ou sugestão, entre em contato através do email: contato@adoroterror.com.br

 

Facebook – https://www.facebook.com/adoroterror.com.br

Youtube – https://www.youtube.com/channel/UCkiipYAfmJjszD3SvB7ZlBg

Blacula ( 1972 )

 

 

Ano: 1972

 

Direção: William Crain

 

Elenco: William Marshall, Vonetta McGee, Denise Nicholas

 

 

 

Aproveitando a semana do feriado do Dia da Consciência Negra, nada mais justo que o site Adoro Terror prestar uma homenagem a esta data importante falando de um horror blaxploitation.

Também chamado de Blacksploitation, este movimento foi uma onda de filmes produzidos nos Estados Unidos no início da década de 70. Como “regra”, os filmes deveriam ser dirigidos e protagonizados por um elenco negro. Claro que a temática dos filmes girava em torno do universo afrodescendente, suas questões, modo de vida e conflitos.

Não é o caso de Blácula, mas creio já ter visto filmes com um elenco 100% formado só de negros e negras.

Praticamente os filmes eram policiais com muita ação, momentos de drama e constantes cenas de sexo. A cara mais famosa do período, com certeza, foi a atriz Pam Grier, que posteriormente se tornou a Jackie Brown de Quentin Tarantino no filme homônimo que flerta bastante com o Blaxploitation.

Não foi a toa que a própria série do James Bond acabou lançando Com 007 Viva e Deixe Morrer, filme que se passa em New Orleans e gira em torno de crenças em religiões afros, no calor do momento em 1973. O movimento ganhava força e popularizava ícones como Shaft.

Apesar do título, o vampiro negro do filme Blácula não é um Drácula negro, mas sim um príncipe africano chamado Mamuwalde que é mordido pelo próprio Drácula, tornando-se assim um vampiro.

Como todo filme do movimento, ele lida com os dilemas do universo afro. Mamuwalde, no caso, tinha ido até a Europa negociar com Drácula o final da escravidão.

Passados 200 anos, Drácula está morto e sua mansão é vendida para um casal homossexual interracial ( olhem que “moderno” isso para 1972 ). Claro que, durante a mudança, o casal acaba descobrindo Blácula enterrado em um dos caixões, libertando-o nos tempos modernos. Blácula acaba encontrando uma garota que parece ser a reencarnação de sua falecida esposa, assim como Mina é a reencarnação da falecida esposa de Drácula no livro de Bram Stoker.

O longa acaba não decolando por ter um roteiro extremamente burocrático, dando muita ênfase para o investigador ao invés de explorar o personagem principal, o que faz do filme mais um policial com algumas cenas de terror do que o contrário. Outra coisa que não ajuda é a Direção de Arte, que tem figurinos e maquiagens equivocadas, parecendo fantasias de Halloween baratas. Para piorar, Blácula é um vampiro extremamente meloso e apaixonado, algo que parece meio deslocado para o personagem.

Mesmo com seus defeitos, é um clássico que merece ser visto pela curiosidade e pela importância histórica da Blaxploitation, um movimento sensacional que é literalmente “coisa de preto”.

NOTA DO EDITOR: 6,0

 

CENAS MEMORÁVEIS: ( Podem conter spoiler )

Nenhuma especial

 

           

 

TRAILER:

OBSERVAÇÃO: Este site NÃO disponibiliza filmes, livros e nem jogos para download.
Qualquer dúvida ou sugestão, entre em contato através do email: contato@adoroterror.com.br

 

Facebook – https://www.facebook.com/adoroterror.com.br

Youtube – https://www.youtube.com/channel/UCkiipYAfmJjszD3SvB7ZlBg

Shortwave ( 2016 )

 

 

Ano: 2016

 

Direção: Ryan Gregory Phillips

 

Elenco: Cristobal Tapia Montt, Katie Carthen, Kyle Davis

 

 

 

A nota do IMDB, apesar de ser um bom indicativo da qualidade do filme, definitivamente não pode definir se você deve, ou não, assisti-lo.

Shortwave tem uma nota baixa no site (3,7), mas talvez ela tenha sido dada pela incompreensão de que ele foi feito para ser um filme simples.

Com um orçamento bem baixo para os padrões americanos, o longa basicamente segue a fórmula de uma locação principal e somente 2 ou 3 atores principais.

O filme é um misto, em ótimas medidas, de ficção com suspense e momentos de puro terror. Apesar da parte sci-fi parecer superficial, considero um grande acerto ter fugido de grandes teorias ou aquele ar de filme intelectual que este tipo de história costuma passar. Um exemplo conhecido é o famoso Primer, filme cult que tem seu público mas com um discurso excessivamente teórico que exige um manual de Física para ajudar.

O casal principal de Shortwave, curiosamente, é formado por atores chilenos. Na história, Isabel e Josh convivem com o desaparecimento da filha. Apesar de alguns anos já passados, Isabel ainda se sente culpada e o marido tenta se concentrar no trabalho. Josh é um pesquisador/cientista cuja empresa está rastreando um sinal de rádio que definitivamente não veio da Terra. Quando Isabel ouve o sinal, ela passa a ter visões que ficam indefinidas entre alucinações ou memórias reprimidas. Claro que o experimento traz consequências fora do controle e o contato com o que há lá fora começa a ficar mais intenso.

Com uma bela fotografia, o filme tecnicamente é bem realizado. A locação já faz a Arte por si e o diretor que está em seu segundo filme demonstra talento.

Visto com a expectativa acertada e se deixando levar pela história, Shortwave é uma ótima surpresa. Um filme diferenciado que, na sua simplicidade honesta, tem muito a ensinar.

NOTA DO EDITOR: 7,5

 

CENAS MEMORÁVEIS: ( Podem conter spoiler )

Nenhuma especial

           

 

TRAILER:

OBSERVAÇÃO: Este site NÃO disponibiliza filmes, livros e nem jogos para download.
Qualquer dúvida ou sugestão, entre em contato através do email: contato@adoroterror.com.br

 

Facebook – https://www.facebook.com/adoroterror.com.br

Youtube – https://www.youtube.com/channel/UCkiipYAfmJjszD3SvB7ZlBg

Leatherface ( 2017 )

 

 

Ano: 2017

 

Direção: Alexandre Bustillo e Julien Maury

 

Elenco: Stephen Dorf, Lili Taylor, Sam Strike

 

 

Cronologicamente, Leatherface é um filme que acontece antes dos eventos mostrados em O Massacre da Serra Elétrica. A história mostra como foi a infância do mais famoso dos personagens daquela família de sádicos insanos, o próprio Leatherface, portador da serra elétrica.

Ok, sabemos que a tradução para português foi péssima, ele nunca portou uma serra elétrica, mas sim uma motosserra, sendo este um dos mais notáveis erros de tradução dos títulos estrangeiros.

Tobe Hooper, diretor do clássico indiscutível O Massacre da Serra Elétrica original de 1974, foi produtor da ótima refilmagem de 2003. Após algumas sequências dispensáveis de 2006 e 2013, esperava-se que na pré-sequência deste tão emblemático ícone do terror tivéssemos um filme bem cuidado e impactante. A complexidade de Leatherface tinha potencial para um filme memorável mas resultou em algo pífio e facilmente esquecível.

O filme vira uma mistura de Assassinos por Natureza com Pulp Fiction em um certo momento, além de usar a emblemática e marcante forma de matar de uma cena do filme A Outra História Americana. Nesta mistura que não deu certo, temos boas cenas de terror, o que segura um pouco o filme.

A produção é caprichada como habitual. Visualmente o filme é muito bonito e a dupla de diretores, do ótimo filme A Invasora, aqui se vira para trazer o gore e dar tensão as cenas de horror. Os pontos fracos são a história recheada de clichês, os personagens já caricatos, as decisões estúpidas que alguns personagens tomam e aquele ar de previsibilidade constante no desenrolar da trama.

O filme talvez agrade quem quer apenas um passatempo com cenas de horror e sangue, mas para os fãs da série que cultuam Leatherface é bom passar longe para não arranhar a imagem deste tão venerado e popular personagem.

NOTA DO EDITOR: 3,5

 

CENAS MEMORÁVEIS: ( Podem conter spoiler )

Nada especial

           

 

TRAILER:

OBSERVAÇÃO: Este site NÃO disponibiliza filmes, livros e nem jogos para download.
Qualquer dúvida ou sugestão, entre em contato através do email: contato@adoroterror.com.br

 

Facebook – https://www.facebook.com/adoroterror.com.br

Youtube – https://www.youtube.com/channel/UCkiipYAfmJjszD3SvB7ZlBg

Raw ( 2016 )

 

 

Ano: 2016

 

Direção: Julia Ducournau

 

Elenco: Garance Marillier, Ella Rumpf, Rabah Nait Oufelia

 

 

 

Raw definitivamente não é um filme fácil de ver. Nos dias atuais, dificilmente passaria no MAM, seria execrado pelo MBL e pela família de bem brasileira.

Dentre seus “atributos” citados na classificação indicativa do filme temos “comportamento abominável”, “sexo”, “nudez”, “uso de drogas”, “imagens sangrentas e desconfortantes” e outros que não citaremos aqui para não dar spoiler.

O filme chamou a atenção por provocar constantes abandonos, por parte do público, nas salas de cinema. Na Suécia, houve desmaios e pessoas que saíram da exibição para vomitar no banheiro. Em uma sala, nos Estados Unidos, os espectadores recebiam na entrada um saco de vômito caso precisassem durante a sessão.

Tudo isso porque Raw, que em Português significa “Cru”, é um filme que gira em torno da alimentação e das mudanças que ela causa no nosso corpo.

Para começo de conversa, vamos contar aqui o básico do básico para começar o filme, sem spoiler, para não estragar a surpresa de quem pretende ver o filme.

Justine é uma garota que cresceu em uma severa família de vegetarianos. Após ser aprovada na faculdade de Veterinária, no trote dos veteranos, ela é obrigada a comer uma parte de fígado de coelho. A reação que o contato com este alimento provoca nela começa a ter efeitos físicos e, posteriormente, graves efeitos psicológicos.

Justine começa uma transformação de personalidade, puramente instintiva, que as cenas posteriores ao trote são feitas para causar desconforto e náuseas, principalmente nas pessoas mais sensíveis.

Mas, com tudo isso, o que faz Raw ser um bom filme e o que leva a pessoa a vê-lo?

O filme, imprevisível, surpreende o espectador com a sucessão de fatos que ocorrem. Há um frescor de originalidade por toda a obra, incluindo bons momentos de puro devaneio, sem muito comprometimento com a narrativa, ainda que estas cenas mais “poéticas” tenham sim um fundo para fazer pensar.

O trabalho da atriz principal merece destaque. Até mesmo a postura corporal da Justine do começo do filme para a Justine do final foi trabalhada junto com a diretora propositadamente.

Não existe certo, nem errado, em Raw. Um dos acertos do filme é não cair no maniqueísmo sobre o consumo de carne. Se a pessoa é o que ela come, como diz a sabedoria popular, as nossas escolhas e consequências são puramente pessoais. Não é um filme para corroborar os vegetarianos e nem irá fazer o carnívoro repensar na vida.

Para os fãs do gênero terror, há bastante sangue e tensão, com cenas de puro gore. A famosa pulsão de morte está presente durante todo o filme.

Finalizando, é um filme que nos faz pensar, algo incomum hoje em dia já que a maioria dos filmes ou séries só quer simplesmente ocupar nosso tempo. Ainda que o foco pareça ser a relação do nosso corpo com a comida, em um nível mais profundo, Raw nos faz pensar sobre algo muito mais complexo e predatório em todos os sentidos: o ser humano.

P.S. – Este filme está disponível na Netflix.

NOTA DO EDITOR: 8,0

 

CENAS MEMORÁVEIS: ( Podem conter spoiler )

Várias, mas não vamos dar spoiler.

           

 

TRAILER:

OBSERVAÇÃO: Este site NÃO disponibiliza filmes, livros e nem jogos para download.
Qualquer dúvida ou sugestão, entre em contato através do email: contato@adoroterror.com.br

 

Facebook – https://www.facebook.com/adoroterror.com.br

Youtube – https://www.youtube.com/channel/UCkiipYAfmJjszD3SvB7ZlBg