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Martin ( 1978 )

 

 

Ano: 1978

 

Direção: George Romero

 

Elenco: John Amplas, Lincoln Maazel, Christine Forrest

 

 

 

Eternizado como o pai dos zumbis graças ao clássico absoluto “A Noite dos Mortos Vivos”, o diretor George Romero tem um cultuado, mas pouco conhecido, filme sobre vampiro.

Original como sempre, Romero traz o mito do vampiro para um mundo moderno, real e quase cruel. Esqueça dentes afiados, medo da luz do Sol e qualquer sinal de glamour ou charme. Martin é um vampiro realista e a obra trata sobre um drama familiar com seus dilemas cotidianos.

Trabalhando de bico fazendo entregas para a loja do primo, o vampiro vive o dia a dia comum de um subúrbio.

Ao contrário do mito de sedutor comum aos vampiros, Martin é extremamente tímido, pouco fala e tem dificuldade em tratar com as mulheres. Para lidar com isso, o vampiro dopa as mulheres com uma injeção, abusa das vítimas enquanto elas dormem e suga o sangue delas quando inconscientes.

Já que o filme mostra o vampiro com realismo, Romero emprega na narrativa uma câmera com bastante crueza. Filmado sem muito apuro, quase documental algumas vezes, com enquadramentos bem próximos dos personagens e uma montagem livre em determinados momentos, tudo isso constrói uma atmosfera que combina com a depressão do personagem. Aliás, esta atmosfera pessimista do filme é uma mostra do que seria bastante notável em grandes filmes da década de 80 que estavam por vir.

Curiosamente, em uma cena vemos um padre comentando sobre o clássico O Exorcista, debatendo a relação entre filme de terror x realidade. Esta discussão acaba sendo prolongada porque, em diversos momentos da história, Martin dá entrevistas para a rádio local da cidade, contando que é um vampiro e dizendo que tudo o que os filmes mostram, como por exemplo medo de alho ou da cruz, é mito. Talvez, esta parte da entrevista via telefone e o filme Entrevista com o Vampiro, que veio posteriormente, não tenha sido mera coincidência.

Apesar de alguns momentos de mais terror, Martin é um drama com suspense que investe em um clima denso e amargurado, como se fosse um reflexo do seu memorável vampiro protagonista.

NOTA DO EDITOR: 7,5

 

CENAS MEMORÁVEIS: ( Podem conter spoiler )

  • Nenhuma especial

           

 

TRAILER:

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The Love Witch 2016

 

 

Ano: 2016

 

Direção: Anna Biller

 

Elenco: Samantha Robinson, Jeffrey Vincent Parise, Laura Waddell

 

 

 

Produzido no estilo dos famosos filmes em Cinemascope/Technicolor dos anos 60/70, The Love Witch é uma história de amor gótica com um pouco de terror, muito clima burlesco e que discute ainda o feminismo. A obra foi, de fato, filmada em película 35 mm, usando todos os processos já em desuso para dar a força visual, e diferente, que o filme possui.

Elaine é uma bruxa que está mudando de cidade. Após relacionamentos desastrosos, ela está sempre em busca do amor verdadeiro. Diante de sua beleza notável, ela atrai vários homens, mas nenhum consegue amá-la com a mesma intensidade que a bruxa possui. Estas frustrações acabam fazendo com que os romances sempre tenham finais trágicos, envolvendo até mesmo assassinatos.

Apesar do baixo orçamento, o esforço da Direção de Arte e da Fotografia, aliados ao processo no qual o filme foi captado, saltam aos olhos. Cores vibrantes somadas com os delírios visuais que o clima de bruxaria e devaneio permitem, resultam em belas sequências e desperta a nostalgia da famigerada discussão película x digital.

Passado o impacto inicial, após 30 minutos de filme a história cai vertiginosamente. Inexplicavelmente, o filme se estende de forma cansativa sobre um enredo que não precisava tanto e que nem ao menos consegue se sustentar. Meia hora a menos de filme e uma enxugada geral fariam muito bem a obra.

Outro problema é que o filme tende a uma teatralidade, sendo as vezes muito encenado e farsesco.

Repleto de nudez, poções mágicas e com direito até mesmo a roda de pessoas peladas dançando a noite em volta da fogueira, quando o filme aborda a “bruxaria” em si, os diálogos parecem retirados de fóruns adolescentes de internet que abordam Wicca.

Mesmo com seus defeitos pontuais, é um filme interessante que desperta muita curiosidade pelos temas abordados e, principalmente, pelo sua proposta imagética pouco comum.

NOTA DO EDITOR: 6,0

 

CENAS MEMORÁVEIS: ( Podem conter spoiler )

Nenhuma especial, mas visualmente o filme, como um todo, é belíssimo.

           

 

TRAILER:

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A Atração ( The Lure 2015 )

 

 

Ano: 2015

 

Direção: Agnieszka Smoczynska

 

Elenco: Marta Mazurek, Michalina Olszanska, Kinga Preis

 

 

 

A Atração é um daqueles filmes que dá trabalho definir. Tem um misto de fantasia, já que as duas principais personagens do filme são sereias. Tem uma boa parte de musical, sendo considerado, aliás, o primeiro filme musical polonês. Tem terror, já que as duas sereias, pontualmente, precisam se alimentar de humanos e estas cenas não tem nada de bonito. Tem romance com drama, já que uma das sereias se apaixona por um humano e aí começam as dificuldades do amor entre pessoa x criatura.

Tudo começa quando duas garotas são achadas no mar. Elas são levadas para uma casa noturna que tem apresentações musicais com um pouco de cabaré. O dono, não necessariamente uma pessoa de escrúpulos, coloca as garotas como atração do local. Logo elas fazem sucesso e o convívio com os seres humanos, cheios de vícios, defeitos e ganância, vai trazer problemas para as garotas. Ao mesmo tempo em que elas se humanizam, vão perdendo gradualmente o que elas tem de encantador.

A trilha sonora e o visual do filme são meios anos 70/80. Não que o filma defina a data em que acontece, ele tem um quê atemporal, mas a estética direciona para este caminho.

Visualmente é um filme forte, bem produzido e fotografado. O elenco é ótimo assim como os efeitos especiais são bem realizados, deixando as sereias convincentes.

A parte musical, entretanto, peca pelas letras pouco memoráveis, pelas canções não serem nada marcantes e pelas coreografias, em si, serem as vezes quase preguiçosas.

O filme conquista por ter uma proposta diferente, pela força visual e por tratar, com uma fábula moderna, um problema que acompanha as pessoas desde o início dos tempos: a dificuldade em ser humano.

NOTA DO EDITOR: 7,0

 

CENAS MEMORÁVEIS: ( Podem conter spoiler )

– Nenhuma especial

           

 

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Cidade Maldita ( Nightmare City ) 1980

 

 

Ano: 1980

 

Direção: Umberto Lenzi

 

Elenco: Hugo Stiglitz, Laura Trotter, Maria Rosario Omaggio

 

 

 

Primeiramente, ontem ( 16/07/17 ), faleceu George Romero, o pai dos zumbis no cinema. Diretor de A Noite dos Mortos-Vivos, ele não apenas influenciou uma geração como mudou para sempre o gênero terror.

Dito isso, é importante frisar que filmes como o escolhido para a resenha de hoje, Cidade Maldita, dificilmente existiriam sem o legado de George Romero. Assim como The Walking Dead e todas as obras com zumbis clássicos que conhecemos.

O prório Umberto Lenzi, diretor de Cidade Maldita ( também conhecido como City of the Walking Dead ) admitiu em uma entrevista que não queria fazer mais um filme de zumbis na linha de Romero, por isso, para dar uma variada, inseriu neste filme um elemento a mais: ao invés dos zumbis serem lentos e lesados, aqui temos zumbis que correm, são inteligentes e fortes.

A história começa falando de um suposto vazamento radioativo em uma usina. Um repórter vai investigar e descobre que o governo está tentando ocultar que o vazamento de fato ocorreu e que, as pessoas atingidas, viraram agressores que precisam de sangue como alimento.

Como todo bom filme do cultuado Umberto Lenzi, sobram litros de sangue, cenas gores e mortes violentas. Em contrapartida temos pouca história, vários furos no roteiro, grosseiros erros de continuidade e até mesmo equipamentos visíveis em cena.

Lenzi é conhecido por fazer boas bilheterias com orçamentos baixos. De fato, apesar de todos os erros, ele entrega o que promete com um terror clássico do início dos anos 80, recheado de sangue e muita nudez gratuita.

Se investisse um pouco mais em suspense e exagerasse menos em maquiagem, o resultado poderia ser ainda melhor.

Para quem cresceu nos anos 80 vendo terror, é um filme charmoso no geral, com cara de VHS clássica e aura cult.

NOTA DO EDITOR: 7,0

 

CENAS MEMORÁVEIS: ( Podem conter spoiler )

– O cinema de horror italiano adorava cenas aflitivas com olho.

           

 

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Sweet, Sweet, Lonely Girl ( 2016 )

 

 

Ano: 2016

 

Direção: A. D. Calvo

 

Elenco: Quinn Shephard, Susan Kellermann, Erin Wilhelmi

 

 

 

“O mal gosta dos solitários.”. Com esta ótima frase no cartaz, entendemos todo o mote desde pouco conhecido, mas muito bom, filme de terror.

A história se passa no final dos anos 70 e é toda filmada neste estilo. A narrativa e os enquadramentos seguem a linguagem tradicional da época. Com todo este charme estilístico, a história gira em torno de Adele, uma jovem e tímida garota, que é designada a cuidar da tia Dory, uma senhora que mora sozinha em uma mansão.

Nesta nova morada, Adele trata da tia que sofre de uma doença que a impede de sair do quarto. A silenciosa comunicação entre elas se dá através de bilhetes que Dory passa por debaixo da porta. Adele prepara e deixa toda a comida e medicação, no chão em frente do quarto da tia, que abre rapidamente e logo volta para a clausura.

Frequentando poucos lugares da região como farmácias e mercados, Adele casualmente conhece Beth, que é seu total oposto: bonita, sexualmente vigorosa, moderna e descolada.

Encantada com a nova amiga, a curiosidade de Adele pelo novo universo que Beth lhe apresenta acaba se tornando uma paixão. Na relação entre as duas, a personalidade forte de Beth acaba tornando-a manipuladora e deixando Adele submissa.

A situação se torna perigosa quando, influenciada negativamente pela nova amiga, Adele começa a ficar desleixada nos cuidados com a tia e passa a tomar péssimas e desonestas atitudes.

O filme, coberto de simbologias, passa a costurar o desenvolvimento psicossexual de Adele com a atmosfera de terror que paira naquela estranha mansão. Além do bom roteiro e da ótima produção, o ponto mais elogiável do filme é sem dúvida a escolha do elenco. As excelentes atrizes dão o tom correto para cada personagem, mostrando a química ideal entre as duas que seguram, basicamente sozinhas, todo o tempo de duração do curto filme.

Sweet, Sweet Lonely Girl é um filme honesto e bem filmado, que termina tão bem quanto começa: surpreendendo positivamente.

NOTA DO EDITOR: 7,5

 

CENAS MEMORÁVEIS: ( Podem conter spoiler )

  • Nenhuma especial

           

 

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