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Shortwave ( 2016 )

 

 

Ano: 2016

 

Direção: Ryan Gregory Phillips

 

Elenco: Cristobal Tapia Montt, Katie Carthen, Kyle Davis

 

 

 

A nota do IMDB, apesar de ser um bom indicativo da qualidade do filme, definitivamente não pode definir se você deve, ou não, assisti-lo.

Shortwave tem uma nota baixa no site (3,7), mas talvez ela tenha sido dada pela incompreensão de que ele foi feito para ser um filme simples.

Com um orçamento bem baixo para os padrões americanos, o longa basicamente segue a fórmula de uma locação principal e somente 2 ou 3 atores principais.

O filme é um misto, em ótimas medidas, de ficção com suspense e momentos de puro terror. Apesar da parte sci-fi parecer superficial, considero um grande acerto ter fugido de grandes teorias ou aquele ar de filme intelectual que este tipo de história costuma passar. Um exemplo conhecido é o famoso Primer, filme cult que tem seu público mas com um discurso excessivamente teórico que exige um manual de Física para ajudar.

O casal principal de Shortwave, curiosamente, é formado por atores chilenos. Na história, Isabel e Josh convivem com o desaparecimento da filha. Apesar de alguns anos já passados, Isabel ainda se sente culpada e o marido tenta se concentrar no trabalho. Josh é um pesquisador/cientista cuja empresa está rastreando um sinal de rádio que definitivamente não veio da Terra. Quando Isabel ouve o sinal, ela passa a ter visões que ficam indefinidas entre alucinações ou memórias reprimidas. Claro que o experimento traz consequências fora do controle e o contato com o que há lá fora começa a ficar mais intenso.

Com uma bela fotografia, o filme tecnicamente é bem realizado. A locação já faz a Arte por si e o diretor que está em seu segundo filme demonstra talento.

Visto com a expectativa acertada e se deixando levar pela história, Shortwave é uma ótima surpresa. Um filme diferenciado que, na sua simplicidade honesta, tem muito a ensinar.

NOTA DO EDITOR: 7,5

 

CENAS MEMORÁVEIS: ( Podem conter spoiler )

Nenhuma especial

           

 

TRAILER:

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Leatherface ( 2017 )

 

 

Ano: 2017

 

Direção: Alexandre Bustillo e Julien Maury

 

Elenco: Stephen Dorf, Lili Taylor, Sam Strike

 

 

Cronologicamente, Leatherface é um filme que acontece antes dos eventos mostrados em O Massacre da Serra Elétrica. A história mostra como foi a infância do mais famoso dos personagens daquela família de sádicos insanos, o próprio Leatherface, portador da serra elétrica.

Ok, sabemos que a tradução para português foi péssima, ele nunca portou uma serra elétrica, mas sim uma motosserra, sendo este um dos mais notáveis erros de tradução dos títulos estrangeiros.

Tobe Hooper, diretor do clássico indiscutível O Massacre da Serra Elétrica original de 1974, foi produtor da ótima refilmagem de 2003. Após algumas sequências dispensáveis de 2006 e 2013, esperava-se que na pré-sequência deste tão emblemático ícone do terror tivéssemos um filme bem cuidado e impactante. A complexidade de Leatherface tinha potencial para um filme memorável mas resultou em algo pífio e facilmente esquecível.

O filme vira uma mistura de Assassinos por Natureza com Pulp Fiction em um certo momento, além de usar a emblemática e marcante forma de matar de uma cena do filme A Outra História Americana. Nesta mistura que não deu certo, temos boas cenas de terror, o que segura um pouco o filme.

A produção é caprichada como habitual. Visualmente o filme é muito bonito e a dupla de diretores, do ótimo filme A Invasora, aqui se vira para trazer o gore e dar tensão as cenas de horror. Os pontos fracos são a história recheada de clichês, os personagens já caricatos, as decisões estúpidas que alguns personagens tomam e aquele ar de previsibilidade constante no desenrolar da trama.

O filme talvez agrade quem quer apenas um passatempo com cenas de horror e sangue, mas para os fãs da série que cultuam Leatherface é bom passar longe para não arranhar a imagem deste tão venerado e popular personagem.

NOTA DO EDITOR: 3,5

 

CENAS MEMORÁVEIS: ( Podem conter spoiler )

Nada especial

           

 

TRAILER:

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Raw ( 2016 )

 

 

Ano: 2016

 

Direção: Julia Ducournau

 

Elenco: Garance Marillier, Ella Rumpf, Rabah Nait Oufelia

 

 

 

Raw definitivamente não é um filme fácil de ver. Nos dias atuais, dificilmente passaria no MAM, seria execrado pelo MBL e pela família de bem brasileira.

Dentre seus “atributos” citados na classificação indicativa do filme temos “comportamento abominável”, “sexo”, “nudez”, “uso de drogas”, “imagens sangrentas e desconfortantes” e outros que não citaremos aqui para não dar spoiler.

O filme chamou a atenção por provocar constantes abandonos, por parte do público, nas salas de cinema. Na Suécia, houve desmaios e pessoas que saíram da exibição para vomitar no banheiro. Em uma sala, nos Estados Unidos, os espectadores recebiam na entrada um saco de vômito caso precisassem durante a sessão.

Tudo isso porque Raw, que em Português significa “Cru”, é um filme que gira em torno da alimentação e das mudanças que ela causa no nosso corpo.

Para começo de conversa, vamos contar aqui o básico do básico para começar o filme, sem spoiler, para não estragar a surpresa de quem pretende ver o filme.

Justine é uma garota que cresceu em uma severa família de vegetarianos. Após ser aprovada na faculdade de Veterinária, no trote dos veteranos, ela é obrigada a comer uma parte de fígado de coelho. A reação que o contato com este alimento provoca nela começa a ter efeitos físicos e, posteriormente, graves efeitos psicológicos.

Justine começa uma transformação de personalidade, puramente instintiva, que as cenas posteriores ao trote são feitas para causar desconforto e náuseas, principalmente nas pessoas mais sensíveis.

Mas, com tudo isso, o que faz Raw ser um bom filme e o que leva a pessoa a vê-lo?

O filme, imprevisível, surpreende o espectador com a sucessão de fatos que ocorrem. Há um frescor de originalidade por toda a obra, incluindo bons momentos de puro devaneio, sem muito comprometimento com a narrativa, ainda que estas cenas mais “poéticas” tenham sim um fundo para fazer pensar.

O trabalho da atriz principal merece destaque. Até mesmo a postura corporal da Justine do começo do filme para a Justine do final foi trabalhada junto com a diretora propositadamente.

Não existe certo, nem errado, em Raw. Um dos acertos do filme é não cair no maniqueísmo sobre o consumo de carne. Se a pessoa é o que ela come, como diz a sabedoria popular, as nossas escolhas e consequências são puramente pessoais. Não é um filme para corroborar os vegetarianos e nem irá fazer o carnívoro repensar na vida.

Para os fãs do gênero terror, há bastante sangue e tensão, com cenas de puro gore. A famosa pulsão de morte está presente durante todo o filme.

Finalizando, é um filme que nos faz pensar, algo incomum hoje em dia já que a maioria dos filmes ou séries só quer simplesmente ocupar nosso tempo. Ainda que o foco pareça ser a relação do nosso corpo com a comida, em um nível mais profundo, Raw nos faz pensar sobre algo muito mais complexo e predatório em todos os sentidos: o ser humano.

P.S. – Este filme está disponível na Netflix.

NOTA DO EDITOR: 8,0

 

CENAS MEMORÁVEIS: ( Podem conter spoiler )

Várias, mas não vamos dar spoiler.

           

 

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Prelúdio para Matar ( Deep Red )

 

 

Ano: 1975

 

Direção: Dario Argento

 

Elenco: David Hemmings, Daria Nicolodi, Gabriele Lavia

 

 

 

Prelúdio para Matar é mais um filme do diretor Dario Argento resenhado aqui no Adoro Terror. Um dos grandes mestres do cinema, ele é o diretor de clássicos cults como Suspiria, Phenomena e O Pássaro das Plumas de Cristal.

Argento é um dos grandes nomes do cinema giallo, que é uma série de filmes italianos com serial killers, mulheres indefesas sendo mortas, assassinatos violentos e sangue. Uma mistura de suspense com policial e doses de terror.

Neste filme, durante uma sessão espírita uma médium pressente que na plateia há um assassino. Posteriormente ela é assassinada em casa, cena que é presenciada por um músico transeunte. O músico se alia a uma repórter para tentarem desvendar o assassinato.

Como todo filme de Argento, o roteiro é novelesco e com alguns furos. A assinatura do diretor se vê nos belos enquadramentos que ele faz, tirando sempre o máximo dos cenários e da Direção de Arte. Os filmes de Argento sempre tem uma fotografia marcante, como em Suspíria, com o uso acentuado das cores primárias, neste filme especialmente, o vermelho.

A atuação as vezes dá uma escorregada, típica de horror europeu ou talvez pelo fato de estarmos muito acostumados com a escola de atuação americana. Preocupação frequente nos filmes deste diretor, a trilha sonora é sempre muito bem cuidada, em especial neste cujo protagonista é um músico.

O que Prelúdio promete e cumpre é o gore. As mortes são violentas, algumas elaboradas, com bastante sangue na tela no melhor estilo slasher americano.

O estilo de Argento é sempre interessante, sendo uma cinematografia única e diferenciada no gênero terror.

NOTA DO EDITOR: 8.5

 

CENAS MEMORÁVEIS: ( Podem conter spoiler )

  • O assassinato da médium, violento e bem filmado.

           

 

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Haxan ( 1922 )

 

 

Ano: 1922

 

Direção: Benjamin Christensen

 

Elenco: Benjamin Christensen, Elisabeth Christensen, Maren Pedersen

 

 

 

Produzido por suecos, mas filmado na Dinamarca, Haxan é um misto de documentário com ficção. O filme faz um panorama sobre a Feitiçaria ( crença em bruxas e demônios ) desde o começo da História da humanidade até 1922, quando o filme foi feito. A obra mostra gravuras históricas e dramatiza muitos acontecimentos relatados.

Impossível não classificar o filme como contestador, especialmente quando ele aborda o espinhoso assunto da Inquisição mostrando os métodos de tortura sendo usados e alfinetando as decisões equivocadas que a Igreja tomou ao acusar de paganismo pessoas potencialmente doentes.

Visualmente, o filme é impactante. Usando recursos variados e inovadores, vemos desde stopmotion a sobreposições de imagem sendo usadas de forma inteligente para criar o clima sombrio que o enredo trata. Sem dúvida, o longa é um delírio visual gótico, cheio de imagens oníricas que manifestam o inconsciente coletivo do imaginário popular. Mesmo tendo quase um século de idade, o filme mantém imagens que são representativas do sobrenatural até hoje, mostrando que pouco mudou, neste sentido, no trato que a humanidade tem com as entidades demoníacas.

Dividido em 7 partes, o filme tem seus altos e baixos. Algumas vezes vira quase um tratado sociológico, mas é indiscutivelmente uma obra-prima encantadora.

NOTA DO EDITOR: 9,0

 

CENAS MEMORÁVEIS: ( Podem conter spoiler )

  • Existem muitas imagens oníricas e visualmente impactantes durante todo o filme.

           

 

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