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O Visitante Noturno ( The Night Visitor ) – 1971

 

 

Ano: 1971

 

Direção: Laslo Benedek

 

Elenco: Max von Sydow, Liv Ullmann, Trevor Howard

 

 

 

Antes de tudo, vale pontuar que O Visitante Noturno não é um filme de terror mas sim um thriller policial com muito suspense e, acredite, um pouco de slasher.

Nesta produção sueca, temos Liv Ullmann, eterna musa de Ingmar Bergman, e o veterano Max von Sydow.

O filme começa com Sydow fugindo da prisão. Ele adentra uma casa, aparentemente por acaso, apenas para se esconder e fugir do frio. Descobrimos na sequência que aquela era a antiga casa dele, uma propriedade rural na qual vivia com as irmãs. Acontece que ele, alcóolatra, era uma pessoa que não sabia administrar a propriedade. As irmãs, junto com o marido inescrupuloso de uma delas, montaram uma forma de Sydow ser preso injustamente pelo assassinato de um lavrador. Começa assim uma história de vingança, muito bem elaborada, por um pessoa inocente que não tem mais nada a perder e cuja injustiça pela qual passou a tornou visivelmente perturbada.

A trama se desenvolve lentamente. O quebra-cabeça do que aconteceu e qual é o plano de vingança é entregue aos poucos para o espectador, com uma ótima construção de suspense. O carismático Max von Sydow, presença sempre marcante na tela, constrói um personagem ambíguo cuja vingança é condenável, mas ainda assim o espectador se sente cúmplice, algumas vezes, daquele plano engenhoso.

O clima sueco, sempre com muita neve, frio, solidão e silêncio, é o cenário ideal para a história. Como o fugitivo usa a noite para visitar os responsáveis pela prisão dele, parece sempre haver pouca esperança e redenção para o personagem. O clima denso é sem dúvida o grande acerto do filme.

Por coincidência, ou talvez não, Sydow que ficou imortalizado pela cena na qual joga xadrez com a Morte em O Sétimo Selo, neste filme também faz um personagem que joga xadrez. Desta vez, não para enganar a Morte, mas sim para fugir da prisão em uma ótima sequência capaz de fazer inveja a Michael Scofield, da série Prison Break.

Filmado sem intenção de ser grandioso, como toda boa produção sueca o foco são os personagens/diálogos. O elenco de peso consegue criar personagens fortes, trazendo uma humanidade crua que faz O Visitante Noturno virar quase um filme de terror ao explicitar que, por ódio, uma pessoa é capaz de tomar as mais assustadoras atitudes.

NOTA DO EDITOR: 8,0

 

CENAS MEMORÁVEIS: ( Podem conter spoiler )

  • A fuga da prisão é uma excelente sequência.

 

TRAILER:

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Seduzidas pelo Demônio ( 1978 )

 

 

Ano: 1978

 

Direção: Raffaele Rossi

 

Elenco: Padre Quevedo, César Roberto, Ivete Bonfá, Afonso Arrichielo

 

 

 

 

Raffaele Rossi foi um diretor italiano que fez várias chanchadas no Brasil, dentre elas, um episódio do longa Coisas Eróticas e o próprio Coisas Eróticas 2. Em Seduzidas pelo Demônio, Rossi mantém o gênero erótico mesclado com um pouco de terror.

Contado em flashback, acompanhamos um julgamento em que uma aluna, que tem um caso amoroso com o professor, é acusada de ter matado a ex-esposa dele. Para apimentar ainda mais, esta mesma aluna é a atual namorada do filho adotivo do professor.

Com uma história desnecessariamente rocambolesca, o roteiro já confuso torna o filme ainda mais “difícil” para o espectador. Os fatos vão ganhando versões sobrenaturais quando descobrimos que o filho adotivo, na verdade, foi uma criança salva de um ritual satânico. Apresentando um comportamento estranho desde pequeno, os pais adotivos passam o garoto em exames clínicos ( claramente uma referência ao O Exorcista ), em padres católicos, mais precisamente no Padre Quevedo que faz aqui uma participação especial e por fim em um terreno de macumba, na forma mais popular e erroneamente imaginária da época. Na macumba, temos uma cena na qual o menino levita, cópia descarada de O Exorcista mas pessimamente executada. Para se ter uma ideia, o menino levita de forma irregular, pendendo as vezes para um lado e logo para o outro lado.

A produção, já barata, se perde em uma fotografia que visivelmente se mostra sem recursos. As cenas da floresta foram retiradas do filme The Demon Blood, pasmem, SEM autorização. Os atores simplesmente dizem as frases, não há uma única atuação louvável. A montagem privilegia cortes absurdamente desnecessários apenas para mostrar um bumbum feminino ou buscar um ângulo mais erótico. Como em toda chanchada, tudo se resolve com sexo.

A parte do terror deixa muito a desejar. A fantasia de Demônio é mais que amadora, chega a ser cômica de forma involuntária. As mortes são pouco inspiradas, basicamente enforcamento com sangue falso na boca. A atuação do personagem possuído é esquizofrênica, ao invés de você torcer para que ele se salve, a encenação é tão gritada e irritante que o espectador com certeza vai torcer para que o capeta acabe logo com aquele ser insuportável.

Para criar o sobrenatural, são usados os truques mais primários do Cinema, como por exemplo um corte seco no qual a pessoa “some” ou colocar os atores bem próximos da lente angular para criar aquela deformidade nas laterais.

Seduzidas pelo Demônio, apesar de seus citados defeitos, não deve ser menosprezado, mas é um filme que serve apenas como curiosidade já que um terror nacional naquele período não era tão comum.

NOTA DO EDITOR: 5,0

 

CENAS MEMORÁVEIS: ( Podem conter spoiler )

– Não há.

           

 

TRAILER:

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VonDehur

Um interessante projeto de terror nacional está no Catarse, para financiamento.

O nome do projeto é VonDehur – Chapter One. Nas palavras na própria descrição da obra, para entendermos um pouco mais sobre do que se trata, temos:

 

“SINOPSE: Um grupo de ex-colegas de escola são convidados a comemorar os 10 anos da formatura. Porém, Rick VonDehur, um ex-colega que cometeu suicídio no ano de formatura, está de volta para se vingar.

VonDehur – Chapter One é um roteiro inspirado em filmes como Sexta-Feira 13, A Hora do Pesadelo, Halloween, Pânico, entre outros.

O cinema de horror vem passando por uma fase em que não se fazem mais personagens como antes, e VonDehur – Chapter One vem para fazer frente e se inspira em personagens icônicos como Jason Voorhees, Freddy Krueger, Mike Myers, Ghostface, etc.

Uma trama inovadora, cheia de reviravoltas e, ao mesmo tempo, entrega tudo que os fãs do gênero esperam.

Essa campanha tem a finalidade de financiar a participação do roteiro de VonDehur – Chapter One nos principais festivais de cinema internacionais, passando por diversos países, com o objetivo de apresentar o roteiro e potencialmente ser premiado, tendo como objetivo final a produção do longa-metragem. ”

 

Ao invés de ser um curta-metragem, como a maioria dos projetos, o interessante de VonDehur é ser um roteiro com a intenção de ser inscrito em festivais internacionais, o que pode tornar o projeto futuramente um longa feito com recursos próprios.

As doações vão de R$30,00 a R$500,00.

Os interessados em saber mais sobre o projeto e doar podem acessar o site:

https://www.catarse.me/VonDehurChapterOne

 

 

The Doll ( 2017 )

 

 

Ano: 2017

 

Direção: Susannah O’Brien

 

Elenco: Valeria Lukyanova, Isabella Racco, Ron Jeremy, Anthony Del Negro

 

 

 

The Doll é um filme estrelado por uma Barbie humana famosa na internet, Valeria Lukyanova. Com um misto de Sexta Sexy, terror e comédia involuntária, o filme tem espaço reservado na galeria dos Piores Filmes da História.

Claro que os iniciados em terror já viram milhares de filmes “piores”, mas geralmente são filmes que queriam ser assumidamente trash, escatológicos, gores, subversivos, de protesto, contestadores ou debochados. O que vemos aqui é um filme que infelizmente se leva a sério.

O filme mostra um casal de namorados que vivem juntos. O jovem, que é dono da casa, permite que um amigo que está passando por dificuldades more em um dos quartos. Acontece que o colega é viciado em prostitutas e um dia leva 4 garotas para a piscina da casa. O dono da casa vai tomar satisfação, as garotas o cercam e claro, neste momento, chega a namorada que vê tudo e resolve abandoná-lo. Solitários na casa, os amigos resolvem ter uma ideia “brilhante”: contratar uma prostituta para morar 1 semana com eles, achando que, se a ex visse o namorado com uma garota mais bonita, acabaria ficando com ciúmes e voltaria para ele. Acreditem, este argumento tosco é a base da história de um filme dirigido por uma mulher! Inexplicavelmente, ao invés de contratarem uma prostituta normal, eles resolvem contratar uma “boneca humana russa”.

O roteiro, se é que pode ser intitulado assim porque ele é cheio de furos ABOMINÁVEIS, desenrola a história mostrando que a boneca tem alguns hábitos estranhos. Os amigos, no início, acham que ela é diferente por ser russa, mas com o passar do tempo percebem que há algo de errado, e sinistro, com a Barbie humana.

Se até aqui a coisa já estava péssima, depois só piora. O filme traz problemas técnicos bizarros como, por exemplo, quando o casal se abraça, ouvimos claramente o microfone lapela raspando na roupa deles. A parte de terror chega a ser ofensiva de tão sem inspiração e pessimamente executada. O elenco disputa entre si para ver quem consegue ser o menos pior e, acreditem, mesmo atuando o tempo inteiro como robótica, estática e sem expressão, até assim a Barbie humana consegue ser ruim! Teria sido muito pior se ela tivesse que atuar de fato. Para completar o elenco e satisfazer os fãs da celebridade da internet, o resto das personagens são prostitutas siliconadas não muito diferente da Barbie principal.

Se tem alguma coisa curiosa no filme é a presença de Ron Jeremy participando de apenas uma cena. O ex-ator pornô assumiu a bizarrice e hoje é figura constante em uma de cada três comédias americanas escrachadas.

The Doll não é um filme de terror mas sim um terror de filme.

NOTA DO EDITOR: 1,0

 

CENAS MEMORÁVEIS: ( Podem conter spoiler )

NADA!

 

           

 

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As Uvas da Morte ( Grapes of Death – Les Raisins de la Mort )

 

 

Ano: 1978

 

Direção: Jean Rollin

 

Elenco: Marie-Georges Pascal, Felix Marten, Mirella Rancelot, Brigitte Lahaie

 

 

O diretor francês Jean Rollin, famoso por sua vasta e cultuada obra de filmes B como Fascination, The Night of the Hunted e A Rosa de Ferro ( já resenhado aqui ), em As Uvas da Morte deixa de lado as clássicas vampiras bissexuais nuas e nos presenteia com um filme de zumbis. Chamado levianamente por alguns de A Noite dos Mortos-Vivos de Jean Rollin, Grapes of Death é realmente um ótimo filme de mortos-vivos com muito gore.

Inicialmente, o filme seria um thriller sobre um desastre ambiental. Vendo o potencial de terror que havia no roteiro, Rollin apostou em um filme rural que mistura colheita, ambição humana e zumbis.

No enredo, um fazendeiro ganancioso que lidera um povoado rural acaba abusando da quantidade de agrotóxicos usados nas uvas. Os funcionários, que trabalham com máscaras inapropriadas, acabam tendo reações ao excesso de veneno usado ali. A contaminação das uvas acaba transformando as pessoas do povoado em zumbis após a ingestão de vinho envenenado.

Os turistas que chegam nesta área rural acabam sendo surpreendidos com o que encontram e uma luta pela sobrevivência torna-se inevitável. Dentre estas pessoas está uma jovem que após dias sem notícias do noivo, resolve ir até o povoado atrás dele. Ela terá que se juntar a pessoas estranhas na luta contra os zumbis, sendo que alguns podem estar contaminados, esperando apenas o efeito do vinho se espalhar pelo corpo. Neste clima de tensão e desconfiança, a jovem faz parcerias improváveis com uma cega, uma família bastante peculiar e com uma misteriosa loira que parece ser uma líder do local. Detalhe que a loira é vivida pela Brigitte Lahaie, musa do cinema pornô francês e presença constante nos filmes B de Jean Rollin e Jess Franco. Além do excesso de sangue e gore, há também bastante nudez no filme, já que estamos falando de Rollin.

Como também habitual nos filmes do diretor, as locações são memoráveis. Muitas construções de pedra, ruínas e uma área rural triste, sem vida, tornam o filme visualmente bonito. Rollin sempre coloca a câmera nos melhores ângulos, valorizando o cenário e tornando tudo grandioso. Há planos longos e extremamente abertos, o que é incomum em filmes de terror. O roteiro tem suas falhas que tornam-se pequenas perto dos muitos outros aspectos positivos do filme.

Claro que há uma ligeira critica social na trama e uma singela preocupação ecológica.

Ironicamente, o Brasil é o maior consumidor mundial de agrotóxicos, sendo que o brasileiro consome em média 5 quilos de agrotóxicos por ano. Cientes de que a nossa bancada ruralista nunca foi conhecida pelo primor ético, o filme tem um quê de alerta e reflexão que torna-o preocupantemente atual.

NOTA DO EDITOR: 8,0

 

CENAS MEMORÁVEIS: ( Podem conter spoiler )

– Há uma decapitação memoravelmente gore.

           

 

TRAILER:

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