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Os Filhos do Medo ( The Brood ) 1979

 

 

Ano: 1979

 

Direção: David Cronenberg

 

Elenco: Oliver Reed, Samnatha Eggar, Art Hindle

 

 

 

Dirigido pelo canadense David Cronenberg ( A Mosca, Scanners, Videodrome ), Filhos do Medo traz algumas das marcas registradas deste aclamado diretor. A consequência que uma mente doente pode ocasionar sobre um corpo saudável, experimentação médica/científica e como o sofrimento pode gerar transformações físicas na pessoa são alguns pontos tratados neste filme.

Cronenberg havia passado por uma separação complicada. Ele trouxe vários elementos pessoais para o filme. A história gira em torno de Frank e sua ex-mulher, Nola, que está passando por um tratamento psiquiátrico experimental. A filha deles, Candice, após visitar a mãe na clínica, apresenta várias lesões pelo corpo. Frank começa a investigar o que acontece no local para tentar expor o misterioso doutor Raglan e seus métodos pouco convencionais. No meio disso tudo, crimes estranhos provocado por “anões” acontecem pela cidade e Frank começa a achar que eles podem estar relacionados com a clínica.

A narrativa do filme é bem eficiente. A forma como os crimes acontecem em contraponto com o progresso da investigação de Frank mantém o espectador em suspense. Quando é para entregar o terror, Cronenberg sempre faz de forma muito acertada. Há toda aquela escuridão e melancolia pré anos 80, bastante intensa neste filme tão desesperançoso.

O filme tem uma cena perturbadora que irá desagradar muita gente, mas é tão carregada de simbolismo que fica difícil não enxergá-la como poesia.

Como toda boa obra do Cronenberg, é um filme que, quando acaba, instiga o espectador a pensar sobre o que acabou de assistir e completar o filme de acordo com suas impressões e entendimento pessoal.

NOTA DO EDITOR: 8,0

 

CENAS MEMORÁVEIS: ( Podem conter spoiler )

A transformação física da personagem é perturbadora.

 

         

 

TRAILER:

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O Vampiro ( Vampyr ) – 1932

 

 

Ano: 1932

 

Direção: Carl Theodor Dreyer

 

Elenco: Julian West, Maurice Schutz, Rena Mandel

 

 

 

Dirigido pelo dinamarquês Carl Theodor Dreyer, responsável pelos clássicos Dias De Ira e O Martírio de Joana D’Arc, O Vampiro é baseado em um livro do irlandês Sheridan Le Fanu que possui o conto Carmilla. Este conto de Fanu foi o responsável por diversos filmes sobre vampiras abordados pela temática do lesbianismo, como por exemplo o clássico Carmilla – A Vampira dos Karnstein, produzido pela legendária Hammer e com a musa do terror Ingrid Pitt no papel da vampira protagonista.

A história pessoal de Dreyer é muito interessante. Filho ilegítimo, ele foi colocado para adoção. Após ser escolhido pelos Dreyers, a criança não sentiu o amor dos pais adotivos, especialmente da mãe. Dreyer buscou os pais biológicos, mas nunca conheceu a mãe “verdadeira”. Em seus filmes, é sempre possível visualizar medo e solidão, além de comportamentos psicológicos e religiosos extremados. Por ter sido criado sob uma rigidez luterana, nos filmes do diretor há sempre uma relação entre religião, sacrifício e sofrimento. Uma das características marcantes de Dreyer é usar closes excessivos no rosto dos atores, extraindo deles uma sensação de dor e angústia.

Apesar de só ter dirigido filmes na Alemanha mais para o meio da carreira, é notável visualmente que os filmes de Dreyer carregam uma identidade comum a fotografia e temática do Expressionismo Alemão. Este movimento aconteceu na Alemanha após o término da primeira guerra quando o país estava desolado e o cinema carregava o espírito do povo alemão com temas sombrios, terrificantes, psicologicamente pesados e pouco esperançosos.

Feitas as apresentações necessárias, vamos ao filme. O Vampiro fala sobre um jovem que se hospeda em uma pousada. Ele descobre que, no local, há uma garota sofrendo de uma doença misteriosa. Após alguns desdobramentos como receber uma visita misteriosa a noite e presenciar um assassinato, o jovem abre um pacote destinado a ele e começa a ler um livro que relata sobre a presença de vampiros. De acordo com a narrativa do livro, tudo indica que a garota doente pode ter se tornado uma vampira. O jovem precisará então correr para tentar salvá-la da maldição.

Graficamente, o filme é um pesadelo visual. O uso das sombras como personagens é feito de forma brilhante. Possivelmente, veio deste filme a inspiração do Copolla no recente Drácula. Dreyer usa de forma primorosa recursos simples de câmera, como usar a imagem em reverso, para criar um clima de pesadelo espectral. O uso de imagens sobrepostas como se criasse um espírito também ajudam a dar uma atmosfera de terror. Há ainda excelentes movimentos de câmera ( travelling ) que, para a época, não eram simples de fazer. Tudo isso usado de forma perfeitamente integrada a narrativa, nada é gratuito ou apenas para impressionar, demonstrando o cuidado que Dreyer usava nos filmes dele. As sequências parecem pinturas que tomaram vida.

Para finalizar sem dar spoiler, há uma sequência claustrofóbica angustiante que podemos afirmar de forma tranquila como um dos momentos mais aterrorizantes e inspirados do cinema.

Não há outra forma de classificar O Vampiro que não seja imputando ao filme o título de Obra-prima do terror.

NOTA DO EDITOR: 10

 

CENAS MEMORÁVEIS: ( Podem conter spoiler )

– Uma longa sequência subjetiva claustrofóbica. A pessoa que está sendo enterrada, através do vidro que há no caixão, acompanha o ritual que vai desde o caixão ser lacrado até levado para enterrar.

 

           

 

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Bloody Muscle Body Builder In Hell ( 2012 )

 

 

Ano: 2012

 

Direção: Shinichi Fukazawa

 

Elenco: Shinichi Fukazawa, Masaaki Kai, Asako Nosaka

 

 

 

Considerado o A Morte do Demônio ( Evil Dead ) japonês, é fácil perceber as muitas semelhanças entre os filmes.

Bloody Muscle Body Builder In Hell foi filmado em 1995, mais de uma década depois do lançamento de A Morte do Demônio, porém o filme só foi editado em 2005, finalizado em 2012 e lançado em DVD em 2015.

Produzido no limiar entre o amadorismo e/ou baixíssimo orçamento, o longa foi rodado em Super-8. Todo este clima nostálgico ajuda a compor a aura de um filme que pode vir a ser cult pela história romântica que o acompanha em torno do hiato entre a realização até o seu lançamento, como se fosse um filme perdido achado anos depois.

Como o título já antecipa, Shinji é um japonês musculoso que precisará usar força bruta para sobreviver no “inferno”.

Durante um treino, Shinji recebe a ligação da ex-namorada. Ela é uma jornalista pesquisando casas assombradas. A garota lembra que Shinji havia mostrado uma vez uma foto do pai dele com uma mulher misteriosa na frente de uma casa. Esta residência pertence ao pai de Shinji, mas está fechada há décadas. O ex-casal parte para o local, acompanhado de um médium.

Após o trio entrar na casa, o passado do pai de Shinji com a mulher misteriosa vem a tona trazendo uma maldição ocasionada por um espírito vingativo que tentará possuir os invasores do local.

O filme é um gore trash com sangue espirrando de forma incessante do meio até o final da projeção. Tudo é muito exagerado e a tonalidade vermelha predomina. Os efeitos são básicos, condizentes com a produção, sendo praticamente stop-motion e alguns recursos simples de câmera.

Trash assumido, a história tem toques de humor, como uma sequência em que Shinji precisa usar halteres, pesos e barras de ferro para se defender. A criatividade “esquisita” sempre marcante nas produções orientais ( Hausu, por exemplo ) ajuda a manter o interesse do espectador.

Não é um filme indicado para qualquer um mas quem gosta de esquisitice com certeza terá um bom passatempo com o filme. De resto, é deixar o tempo dizer se o filme entrará na galeria dos filmes cults ou se será apenas mais uma baixa produção na lista dos filmes que quase ninguém viu.

NOTA DO EDITOR: 7,5

 

CENAS MEMORÁVEIS: ( Podem conter spoiler )

– Cenas com olho, sempre aflitivas

 

           

 

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Enigma do Pesadelo ( Aenigma ) – 1987

 

 

 

Ano: 1987

 

Direção: Lucio Fulci

 

Elenco: Lara Lamberti, Jared Martin, Ulli Reinthaler

 

 

 

Mais um filme do competente Lucio Fulci, um diretor cultuado que já apareceu por aqui nas resenhas do Pavor na Cidade dos Zumbis, Terror nas Trevas e Uma Lagartixa num Corpo de Mulher.

Apesar de ser um filme bem menos badalado, Enigma do Pesadelo é um trabalho interessante no qual, mais uma vez, Fulci nos brinda com um constante clima de suspense mesclado com boas sequências de terror ( algumas com gore ).

Na sequência inicial, vemos Kathy, a esquisita filha da faxineira do internato, em um encontro com o professor de educação física. Acontece que era tudo uma armação do próprio professor com os outros alunos para praticar bulllying na tímida garota. Humilhada ao ser cercada pelos colegas, ela sai correndo e sofre um acidente que a coloca em coma profundo.

Os alunos e o professor mantém o silêncio e tentam viver normalmente. Após um tempo, uma jovem e bela estudante, vinda de uma família rica, entra no internato. Estranhos assassinatos passam a acontecer no local, sempre em momentos nos quais Kathy, lá do hospital, mostra profundas atividades cerebrais. O médico de Kathy passa a investigar se ela pode estar controlando, de forma sobrenatural, a nova estudante a fim de cometer sua vingança pessoal.

Narrativamente, merece elogio quando Fulci usa a câmera saindo de Kathy do hospital e vai “voando” até o colégio, como se fosse uma projeção astral da garota em coma. O filme ainda tem duas memoráveis sequências de terror. Uma delas ocorre em um Museu, quando Arte e terror se misturam de uma forma peculiar. A segunda é um curioso jogo narrativo no qual uma personagem foge de um quarto para escapar de um corpo, mas acaba sempre terminando no mesmo quarto como se fosse um pesadelo cíclico inevitável.

Fulci usa o artifício do pesadelo algumas outras vezes. Quando uma personagem tenta fugir, o que era porta vira concreto, mostrando que a realidade pode ser distorcida pela nossa mente. De forma habilidosa, o diretor consegue mostrar o contraponto da garota em coma cujo limite é físico, mas não psíquico X os vilões do filme cujo limite é imposto pela mente carregada de culpa.

Inevitável comparar o filme com Carrie e também com A Hora do Pesadelo. O que não é problema algum, porque Fulci faz uma ótima mistura dos dois que resulta em um filme diferenciado. Apesar de alguns diálogos bobos e outras situações meio gratuitas, Aenigma é um ótimo filme que vai satisfazer os fãs do terror.

NOTA DO EDITOR: 8,0

 

CENAS MEMORÁVEIS: ( Podem conter spoiler )

  • As ótimas sequências do Museu e do quarto que se repete.

           

 

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A Morte Caminha de Salto Alto ( 1971 )

 

 

Ano: 1971

 

Direção: Luciano Ercoli

 

Elenco: Frank Wolff, Nieves Navarro, Simon Andreu

 

 

 

A Morte Caminha de Salto Alto é mais um giallo italiano de título enigmático, com assassinato seguido de investigação policial e muito suspense. Como todo exemplar deste estilo, há mulheres bonitas, nudez e a figura de um assassino misterioso disfarçado com máscara, sobretudo, luva ou roupas do gênero. Neste caso, com salto alto também.

A história contra sobre Nicole, uma stripper que se divide entre a vida noturna e o namorado vagabundo. Ela é filha de um famoso ladrão de jóias que acabou de ser morto durante um assalto em um trem. A polícia investiga se ela sabe o paradeiro das jóias. Nicole jura inocência, mas personagens misteriosos envolvidos no furto resolvem ameaçá-la buscando seguir o rastro das pedras preciosas.

Um dos problemas visíveis do filme é não saber mesclar de forma dosada os vários gêneros que a história mistura. O enredo começa muito focado no erotismo para na sequência focar no policialesco e pontualmente temos o giallo e o suspense. A longa duração acaba prejudicada pela falta de ritmo e do meio para o final o filme tem várias reviravoltas sendo algumas interessantes mas outras nem tanto.

Apesar dos problemas, o filme tem certo frescor e momentos inspirados. A produção se destaca com locações interessantes e temos ainda o bom uso dos cenários ajudado pela fotografia esforçada. Há ótimos movimentos de câmera bem de acordo quando o filme embarca no suspense e no giallo.

Uma boa dose de voyeurismo, possivelmente inspirada em Janela Indiscreta, aqui funciona muito bem e com bastante personalidade, encaixando-se perfeitamente com o enredo e gênero giallo.

O filme teve um similar em 1972 chamado A Morte Caminha a Meia-Noite. Apesar da produção ser do mesmo diretor e ter uma parte do elenco repetida, não há ligação direta entre as histórias.

NOTA DO EDITOR: 6,5

 

CENAS MEMORÁVEIS: ( Podem conter spoiler )

  • Nenhuma especial.

           

 

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