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The Blood Rose ( La Rose Ecorchee )

 

 

Ano: 1970

 

Direção: Claude Mulot

 

Elenco: Philippe Lemaire, Anny Duperey, Elizabeth Teissier, Michele Perello

 

 

Obviamente inspirado no também francês Os Olhos sem Rosto, filme clássico de Georges Franju, The Blood Rose ( La Rose Ecorchee ) é um filme pouco conhecido mas muito surpreendente.

De imediato, uma coisa chama bastante atenção. Claude Mulot, diretor do filme, basicamente tem uma carreira só de filmes pornôs. Mulot dirigiu vários clássicos franceses de sexo explícito, como por exemplo “Les Petites Ecolieres” com a atriz Brigitte Lahaie, estrela de filmes pornôs e de vários filmes de terror B.

A história começa quando um famoso pintor de modelos nuas se apaixona por uma garota comum. No dia do casamento, a ex-namorada do pintor, enciumada, vai até a festa e provoca um acidente que desfigura por completo a noiva.

Paraplégica, encarcerada no castelo e infeliz com a atual aparência, em pouco tempo a jovem se transforma em uma pessoa monstruosa e maligna. Vivendo neste ambiente infernal, o marido resolve tomar uma atitude arriscada com o intuito de devolver a beleza e a alegria de viver para a depressiva esposa.

Com um clima agonizante, The Blood Rose aposta em uma atmosfera pesada e sombria. O roteiro está longe de ser uma obra-prima, mas a história compensa com um terror gótico ambientado nas belas locações da França. Em alguns momentos do filme, o espectador é colocado no papel da personagem através do uso de câmera subjetiva. Com visão borrada, pouca mobilidade e vendo em primeira pessoa a reação das pessoas diante da peculiar aparência física, o espectador passa a entender e sentir na pele o drama vivido pela personagem principal, trazendo assim um mínimo de empatia.

O filme tem um orçamento baixo, mas a boa narrativa, a ótima fotografia e o clima crescente de suspense agregam valor de produção.

Trazendo no cartaz a frase “O primeiro filme de sexo-terror já feito”, o que obviamente é uma baboseira apenas por interesses comerciais, The Blood Rose tem pouco erotismo e muito horror. Aliás, tem um ótimo terror que merecia uma atenção maior pela crítica e pelos fãs do gênero.

NOTA DO EDITOR: 7,5

 

CENAS MEMORÁVEIS: ( Podem conter spoiler )

Nenhuma especial

           

 

TRAILER:

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Túmulo Sinistro ( The Tomb of Ligeia )

 

 

Ano: 1964

 

Direção: Roger Corman

 

Elenco: Vincent Price, Elizabeth Shepherd, John Westbrook

 

 

 

Dirigido pelo lendário Roger Corman, Túmulo Sinistro foi o último de uma série de filmes baseados na obra de Edgar Allan Poe feitos por Corman. Neste caso, o filme foi inspirado em cima do sombrio conto “Ligéia”.

Para quem não conhece, Corman tem mais de 400 filmes creditados nas mais variadas funções, sendo a maior parte deles como produtor e diretor. Após trabalhar por apenas 3 dias na vida como engenheiro, ele desistiu da carreira e, graças a esta frustração, resolveu trabalhar como mensageiro na 20th Century Fox. Após ser alçado a carreira de analista de roteiro, Corman posteriormente conseguiu vender seu primeiro roteiro pessoal para um estúdio de cinema. Indignado com o resultado ao ver que o filme estava muito diferente do roteiro, ele resolveu bancar e dirigir seus próprios filmes, iniciando assim uma carreira invejavelmente prolífica e eternizando seu nome na galeria do terror.

Conhecido como O Rei dos Filmes B, a fama de Corman veio graças aos seus inúmeros filmes com baixo orçamento, mas não necessariamente ruins. Como exemplo, o longa “A Loja dos Horrores”, apesar de ter quase uma hora e vinte de duração, foi rodado em SURPREENDENTES dois dias apenas. Trabalhando com muita gente iniciante, o diretor foi o responsável por lançar atores como Jack Nicholson e diretores como Martin Scorsese, James Cameron e até mesmo Francis Ford Coppola. A contribuição de Corman para o cinema, não apenas para o terror, é inestimável e incapaz de ser dimensionada.

Em Túmulo Sinistro, o diretor mistura outro ícone do terror, Vincent Price, com um texto de Poe, um gato preto e um constante clima de terror clássico. Como previsto, não tinha como dar errado.

Com diálogos poéticos e marcantes dignos do conto, o filme mostra a loucura de um médico após perder precocemente a esposa Ligéia. Mantendo o túmulo dela por perto, ele acredita que um dia ela voltará. Após muitos anos, o isolado e estranho doutor se casa com a jovem filha do vizinho. O que ela não sabia é que talvez ela esteja sendo usada pelo espírito da falecida Ligéia para atormentar o marido, ou, pior ainda, esteja sendo usada pela loucura do estranho doutor para tomar o lugar de Ligéia.

Túmulo Sinistro é um terror diferente. Filmado em belas locações inglesas, boa parte do filme se passa em cenas externas em plena luz do dia. O clima sombrio aparece quando entramos na casa do médico, cheia de elementos clássicos do gênero e com um constante ar de melancolia e solidão.

Um dos pontos fortes do filme é trabalhar o terror psicológico. Muitas vezes, ficamos em dúvida se a narrativa realmente flerta com o fantasmagórico ou se é uma incursão na mente atormentada do doutor.

Nas palavras do próprio diretor, dos 8 filmes que ele fez baseados em Poe, este é o melhor de todos. De um mestre como Corman, poucos ousariam discordar.

NOTA DO EDITOR: 7,5

 

CENAS MEMORÁVEIS: ( Podem conter spoiler )

Nenhuma especial.

 

           

 

TRAILER:

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Las Garras de Lorelei ( 1973 )

 

 

Ano: 1973

 

Direção: Amando de Ossorio

 

Elenco: Helga Line, Silvia Tortosa, Tony Kendall

 

 

Amando de Ossorio foi um diretor espanhol famoso no gênero de horror graças a uma série de filmes com cavalheiros templários mortos-vivos.

Enfim, o cultuado diretor chega ao site Adoro Terror com um filme que mistura fantasia e terror.

Em Las Garras de Lorelei, a lendária atriz ruiva alemã Helga Liné dá a vida a outra lenda germânica, a sereia Lorelei do épico dos nibelungos. Bela quando humana, Lorelei em noites de lua cheia se transforma em um agressivo monstro que precisa se alimentar de corações humanos. Claro que, diante disso, ela deixa um rastro de crimes e medo em uma pacata cidade alemã.

Quando uma jovem é assassinada por Lorelei, a rígida professora de um colégio feminino, vivida por Silvia Tortosa, solicita que um caçador seja colocado para proteger o local. O escolhido para a missão acaba sendo o jovem e sedutor Sigurd, que obviamente vai mexer com a rotina das estudantes já que ele é o único homem vivendo ali.

O filme, que acaba sendo um terror sexy, alterna as tentativas de sedução das alunas com cenas de assassinatos brutais. Com vários momentos de puro gore, o diretor Ossorio investe em uma Lorelei que mescla languidez quando humana com muita raiva quando na forma monstruosa.

Há muitos assassinatos, o que torna o filme quase um slasher. O terror de Ossorio é clássico: sombras, sangue espirrando, câmeras subjetivas, noites de lua cheia com muita fumaça, zoom em olhar de pavor, cemitério e tudo mais que o gênero permite.

Apesar do baixo orçamento e da maquiagem quase risível em alguns momentos, é difícil não elogiar a paixão do diretor pelo gênero. Filmando com elegância, ele consegue extrair bons momentos apostando em uma cinematografia forte, ainda que sua produção seja limitada. Há muita honestidade em tela, ainda que ingênua em algumas cenas, mas sempre muito apaixonada pelos elementos do terror.

Mesmo não sendo um filme tão conhecido como A Noite do Terror Cego ou como The Night of the Seagulls, ambos do mesmo diretor, Las Garras de Lorelei é uma forma de compreender porque Amando de Ossorio foi um dos maiores nomes do horror europeu da década de 70.

NOTA DO EDITOR: 7,5

 

CENAS MEMORÁVEIS: ( Podem conter spoiler )

Nada especial

           

 

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A Rosa de Ferro ( La Rose de Fer )

 

 

Ano: 1973

 

Direção: Jean Rollin

 

Elenco: Françoise Pascal, Hugues Quester, Natalie Perrey

 

 

 

Famoso por seus inúmeros filmes de horror recheados de vampiras bissexuais nuas e também pela cinematografia erótica de filmes B, é inegável que o diretor Jean Rollin tem um talento que vai muito além disso.

Seu filme A Rosa de Ferro pode ser definido como um terror poético. Dotado de lirismo visual, o filme é uma mistura boa do clima Nouvelle Vague visto especialmente nos filmes de Truffaut e Godard, com um enredo que lembra O Anjo Exterminador, de Buñuel, e o clima do cult Dellamorte Dellamore, de Michele Soavi.

Após uma festa, um rapaz encontra uma garota e decidem sair passeando pelo subúrbio francês. Eles entram em um cemitério onde, escondidos em um mausoléu, acabam transando. Até então, o clima é puro Nouvelle Vague, mostrando as relações amorosas, dilemas e uma certa melancolia sem esperança. Quando saem do mausoléu, já é noite e eles, misteriosamente, não conseguem achar o caminho até a saída do cemitério. Neste momento, o filme lembra O Anjo Exterminador. O casal encara a noite neste local que traz medos e superstições, momento do filme que namora com Dellamorte Dellamore.

A maior parte da obra se desenvolve com os 2 personagens perdidos no cemitério a noite, o que torna a história cansativa e o desenrolar arrastado, mas as intervenções surreais que Rollin injeta na história e o olhar exímio colocando a câmera sempre no melhor lugar da locação para criar imagens pictóricas valem o filme. Para quem já viu alguns filmes de Rollin, algumas locações já são familiares porque se repetem, mas este departamento sempre foi um ponto forte nos filmes do diretor. Claro que os castelos, as ruínas e as externas francesas colaboram, mas isso não tira o mérito criterioso que Rollin usa para explorar o máximo que o cenário oferece.

No estilo inconfundível do diretor, há muitos planos abertos com longa duração. A montagem do filme tem um quê de subsconciente, com um ritmo às vezes de sonho ou pesadelo. A película com cores alteradas e surreais ajudam a compor a atmosfera onírica de seus filmes.

Infelizmente, o ator principal deixa muito a desejar. Seus gritos deslocados, emoções exageradas e atuação performática acabam prejudicando o filme.

Considerado por alguns o filme mais impactante do diretor, A Rosa de Ferro é um jóia rara desconhecida que merecia um olhar mais atento da crítica e do público.

NOTA DO EDITOR: 7,0

 

CENAS MEMORÁVEIS: ( Podem conter spoiler )

Todo filme do Jean Rollin tem lindos planos cinematográficos.

           

 

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Uma Lagartixa num Corpo de Mulher

 

 

Ano: 1971

 

Direção: Lucio Fulci

 

Elenco: Florinda Bolkan, Jean Sorel, Anita Strindberg

 

 

 

Após falarmos de Pavor na Cidade dos Zumbis, salientando o quanto o diretor Lucio Fulci era talentoso em vários gêneros cinematográficos, nada mais justo do que falar de um dos giallos mais impressionantes já feitos. Dirigido e escrito pelo mestre Fulci, Uma Lagartixa num Corpo de Mulher é resumidamente, como o próprio cartaz diz, um “pesadelo erótico”. Subtítulo bastante apoiado na sexy cena de amor entre as atrizes Florinda Bolkan e Anita Strindberg, repleta de simbolismo.

Feito no início da década de 70, é um filme aberto a experimentações narrativas, recheado de cenas oníricas e sequências que parecem saídas de uma viagem lisérgica. Tudo isso porque o filme reflete, imageticamente, o estado de espírito da personagem principal, Carol Hammond.

Carol é a milionária filha de um político, casada com um promissor advogado ( pelo que lembro ) e que vive em um casamento socialmente “perfeito”, mas não muito feliz. A famosa bela, recata e do lar. A jovem vive no psicólogo contando sobre seus sonhos e devaneios, discutindo especialmente sobre desejos reprimidos. Em seu sonho mais constante, Carol se vê em um relacionamento sexual com a vizinha Julia, seu oposto. Julia dá constantes orgias no apartamento, é liberada, sexualmente ativa e experimenta as mais variadas drogas.

O filme se torna um giallo quando, em uma noite, Carol sonha que matou Julia. No dia seguinte, a vizinha de fato aparece morta. A história se torna sombria quando Carol descobre que Julia foi morta exatamente do jeito que ela sonhou. A coisa piora ainda mais quando Carol invade o quarto de Julia e percebe que, mesmo sem nunca ter estado lá, tudo é exatamente da forma que ela sonhava.

Escrito pelo próprio Fulci, a história tem um desenrolar interessante, ganhando ótimas reviravoltas e mantendo o suspense característico dos giallos. A dúvida sobre a instabilidade emocional de Carol, que talvez tenha causado um lapso de memória fica em contraponto com uma possível armação para incriminá-la. O roteiro desenvolve bem todas as possibilidades.

Fulci é generoso. O filme explora, de forma sóbria e delicada, o universo feminino. Não é um filme feminista a rigor, mas tem um olhar extremamente preocupado em retratar a mulher do final da década de 60 para o início da década de 70. O filme se mantém bastante atual já que não evoluímos, neste sentido, nas últimas décadas.

O melhor do filme é a sempre elegante Florinda Bolkan. Apesar de nada conhecida no Brasil, a musa do cinema italiano é cearense. Filha de um diplomata casado com uma indígena, Florinda se tornou aeromoça e em uma viagem até Roma foi apresentada ao diretor Luchino Visconti. Deste encontro, Florinda estourou para o sucesso mais que merecido.

Além de drama, suspense e giallo, Fulci encontra momentos para inserir terror e até mesmo gore, tornando Uma Lagartixa num Corpo de Mulher um clássico imperdível e inovador.

NOTA DO EDITOR: 8,5

 

CENAS MEMORÁVEIS: ( Podem conter spoiler )

  • Florinda Bolkan e Anita Strindberg juntas, dividindo a mesma cama

           

 

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