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American Horror Story – Temporada 7 – Culto

 

 

Ano: 2017

 

Direção: Vários

 

Elenco: Sarah Paulson, Evan Peters, Alison Pill, Billie Lourd

 

 

 

Esta é uma resenha diferente. Serão pinçadas algumas frases e momentos da temporada que já dirão o quanto a série dialoga com o Brasil de 2018/2019.

– Após o anúncio de Trump ser eleito presidente, um casal de lésbicas chora angustiado enquanto o filho delas pergunta se isso é ruim. Na sequência, um ultranacionalista em êxtase grita que a América será grande de novo enquanto simula praticar ato sexual com a própria tv.

– Um candidato a vereador diz que “Acima de tudo, humanos amam o medo. Todo dia escolhemos medo ao invés de liberdade. Medo é dinheiro, tem valor. Eu disse que não há nada mais perigoso neste mundo do que um homem humilhado.”.

– Este mesmo candidato espalha que a chance de uma pessoa ser vítima de um crime grave cometido por um imigrante é 40% maior e que os números da violência e estupro nunca estiveram tão altos. Quando questionando de onde vieram os dados, ele responde que tirou do Facebook.

– “Tudo é culpa de outra pessoa a partir de hoje. Você quer ser alguém? Ser importante? Então faça o mundo estar errado”.

– “A dor é um chamado para a ação. Pegue a dor em uma mão e a raiva na outra. Use-as”.

– Uma feminista argumenta que “Só escuto homens brancos reclamando de direitos concedidos às mulheres e minorias. Direitos que estes homens já possuem desde o início dos tempos.”.

– “Você é um reacionário. Você usa o medo e a fantasia de um tempo que nunca existiu.”

– “O futuro será guiado por interesse pessoal, autopromoção e narcisismo.”.

– Um candidato apresenta uma lista de sites ofensivos” na internet pedindo que eles sejam proibidos de serem acessados pela população sob a alegação de que “os esquerdistas da CNN e da NBC poluíram nosso discurso com informação falsa. A pornografia está desmoralizando os jovens. Perdemos uma geração de mães para o Candy Crush.”. Este mesmo candidato afirma que não é censura, mas regulamentação para proteger as pessoas da decadência cultural.

– “Por milhares de anos o homem construiu a civilização com uma única intenção: prender a mulher. Donald Trump não consegue resolver seus problemas masculinos de maneira adequada, mas Hillary é atacada porque está malvestida. Estamos sentados na maior bomba que o universo já viu. A fúria feminina”.

– Um atentado durante um comício eleva a aprovação de um candidato a níveis altos que o gabaritam a disputar uma eleição nacional.

NOTA DO EDITOR: 8,0

 

CENAS MEMORÁVEIS: ( Podem conter spoiler )

Muitas.

          

 

TRAILER:

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The Devil’s Doorway ( A Maldição da Freira ) – 2018

 

 

Ano: 2018

 

Direção: Aislinn Clark

 

Elenco: Lalor Roddy, Ciaran Flynn, Helena Bereen

 

 

 

Lançado no Brasil com o estranho título de “A Maldição da Freira”, o filme é um Found Footage diferenciado da mesmice que este gênero extrapolou nos últimos anos.

Com boas atuações e filmado em película 16mm para dar mais veracidade ao tipo de imagem, o longa tem bons momentos de suspense e surpreende.

Nos anos 60, após receber uma carta anônima de que em um convento na Irlanda uma imagem de Nossa Senhora está chorando sangue, o Vaticano decide enviar 2 padres para o local com o intuito de descobrir o que está acontecendo por lá.

O jovem padre John é o cinegrafista que irá gravar a investigação encabeçada pelo experiente e cético pelo Thomas. Com o passar dos dias no convento, os padres percebem que as freiras ali tem um tratamento rigoroso demais e entram em conflito com a Madre Superiora.

A situação piora quando o padre Thomas descobre que há uma interna que vive isolada em uma ala especial. Por ordem da Madre Superiora, a garota vive amarrada para controlar os graves ataques de fúria que ela tem. O padre pede que a interna seja solta e começa a monitorar o que parece ser apenas distúrbio mental. Os ataques começam a vir acompanhados de fenômenos inexplicáveis e a possibilidade de uma possessão demoníaca é colocada em pauta.

Um filme aparentemente simples mas que tem boas reviravoltas de roteiro e uma história sólida. Em um bom momento do longa, o padre John pergunta ao veterano Thomas se ele já viu algum fenômeno provocado pelo demônio. A resposta simples do padre, não transcrita perfeitamente mas em outra palavras é: “eu nunca vi um mal no mundo provocado pelo demônio, a maldade sempre vem pelas mãos do homem.”

Para pensar.

NOTA DO EDITOR: 7,5

 

CENAS MEMORÁVEIS: ( Podem conter spoiler )

Nenhuma especial

 

           

 

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Os Filhos do Medo ( The Brood ) 1979

 

 

Ano: 1979

 

Direção: David Cronenberg

 

Elenco: Oliver Reed, Samnatha Eggar, Art Hindle

 

 

 

Dirigido pelo canadense David Cronenberg ( A Mosca, Scanners, Videodrome ), Filhos do Medo traz algumas das marcas registradas deste aclamado diretor. A consequência que uma mente doente pode ocasionar sobre um corpo saudável, experimentação médica/científica e como o sofrimento pode gerar transformações físicas na pessoa são alguns pontos tratados neste filme.

Cronenberg havia passado por uma separação complicada. Ele trouxe vários elementos pessoais para o filme. A história gira em torno de Frank e sua ex-mulher, Nola, que está passando por um tratamento psiquiátrico experimental. A filha deles, Candice, após visitar a mãe na clínica, apresenta várias lesões pelo corpo. Frank começa a investigar o que acontece no local para tentar expor o misterioso doutor Raglan e seus métodos pouco convencionais. No meio disso tudo, crimes estranhos provocado por “anões” acontecem pela cidade e Frank começa a achar que eles podem estar relacionados com a clínica.

A narrativa do filme é bem eficiente. A forma como os crimes acontecem em contraponto com o progresso da investigação de Frank mantém o espectador em suspense. Quando é para entregar o terror, Cronenberg sempre faz de forma muito acertada. Há toda aquela escuridão e melancolia pré anos 80, bastante intensa neste filme tão desesperançoso.

O filme tem uma cena perturbadora que irá desagradar muita gente, mas é tão carregada de simbolismo que fica difícil não enxergá-la como poesia.

Como toda boa obra do Cronenberg, é um filme que, quando acaba, instiga o espectador a pensar sobre o que acabou de assistir e completar o filme de acordo com suas impressões e entendimento pessoal.

NOTA DO EDITOR: 8,0

 

CENAS MEMORÁVEIS: ( Podem conter spoiler )

A transformação física da personagem é perturbadora.

 

         

 

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O Vampiro ( Vampyr ) – 1932

 

 

Ano: 1932

 

Direção: Carl Theodor Dreyer

 

Elenco: Julian West, Maurice Schutz, Rena Mandel

 

 

 

Dirigido pelo dinamarquês Carl Theodor Dreyer, responsável pelos clássicos Dias De Ira e O Martírio de Joana D’Arc, O Vampiro é baseado em um livro do irlandês Sheridan Le Fanu que possui o conto Carmilla. Este conto de Fanu foi o responsável por diversos filmes sobre vampiras abordados pela temática do lesbianismo, como por exemplo o clássico Carmilla – A Vampira dos Karnstein, produzido pela legendária Hammer e com a musa do terror Ingrid Pitt no papel da vampira protagonista.

A história pessoal de Dreyer é muito interessante. Filho ilegítimo, ele foi colocado para adoção. Após ser escolhido pelos Dreyers, a criança não sentiu o amor dos pais adotivos, especialmente da mãe. Dreyer buscou os pais biológicos, mas nunca conheceu a mãe “verdadeira”. Em seus filmes, é sempre possível visualizar medo e solidão, além de comportamentos psicológicos e religiosos extremados. Por ter sido criado sob uma rigidez luterana, nos filmes do diretor há sempre uma relação entre religião, sacrifício e sofrimento. Uma das características marcantes de Dreyer é usar closes excessivos no rosto dos atores, extraindo deles uma sensação de dor e angústia.

Apesar de só ter dirigido filmes na Alemanha mais para o meio da carreira, é notável visualmente que os filmes de Dreyer carregam uma identidade comum a fotografia e temática do Expressionismo Alemão. Este movimento aconteceu na Alemanha após o término da primeira guerra quando o país estava desolado e o cinema carregava o espírito do povo alemão com temas sombrios, terrificantes, psicologicamente pesados e pouco esperançosos.

Feitas as apresentações necessárias, vamos ao filme. O Vampiro fala sobre um jovem que se hospeda em uma pousada. Ele descobre que, no local, há uma garota sofrendo de uma doença misteriosa. Após alguns desdobramentos como receber uma visita misteriosa a noite e presenciar um assassinato, o jovem abre um pacote destinado a ele e começa a ler um livro que relata sobre a presença de vampiros. De acordo com a narrativa do livro, tudo indica que a garota doente pode ter se tornado uma vampira. O jovem precisará então correr para tentar salvá-la da maldição.

Graficamente, o filme é um pesadelo visual. O uso das sombras como personagens é feito de forma brilhante. Possivelmente, veio deste filme a inspiração do Copolla no recente Drácula. Dreyer usa de forma primorosa recursos simples de câmera, como usar a imagem em reverso, para criar um clima de pesadelo espectral. O uso de imagens sobrepostas como se criasse um espírito também ajudam a dar uma atmosfera de terror. Há ainda excelentes movimentos de câmera ( travelling ) que, para a época, não eram simples de fazer. Tudo isso usado de forma perfeitamente integrada a narrativa, nada é gratuito ou apenas para impressionar, demonstrando o cuidado que Dreyer usava nos filmes dele. As sequências parecem pinturas que tomaram vida.

Para finalizar sem dar spoiler, há uma sequência claustrofóbica angustiante que podemos afirmar de forma tranquila como um dos momentos mais aterrorizantes e inspirados do cinema.

Não há outra forma de classificar O Vampiro que não seja imputando ao filme o título de Obra-prima do terror.

NOTA DO EDITOR: 10

 

CENAS MEMORÁVEIS: ( Podem conter spoiler )

– Uma longa sequência subjetiva claustrofóbica. A pessoa que está sendo enterrada, através do vidro que há no caixão, acompanha o ritual que vai desde o caixão ser lacrado até levado para enterrar.

 

           

 

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Bloody Muscle Body Builder In Hell ( 2012 )

 

 

Ano: 2012

 

Direção: Shinichi Fukazawa

 

Elenco: Shinichi Fukazawa, Masaaki Kai, Asako Nosaka

 

 

 

Considerado o A Morte do Demônio ( Evil Dead ) japonês, é fácil perceber as muitas semelhanças entre os filmes.

Bloody Muscle Body Builder In Hell foi filmado em 1995, mais de uma década depois do lançamento de A Morte do Demônio, porém o filme só foi editado em 2005, finalizado em 2012 e lançado em DVD em 2015.

Produzido no limiar entre o amadorismo e/ou baixíssimo orçamento, o longa foi rodado em Super-8. Todo este clima nostálgico ajuda a compor a aura de um filme que pode vir a ser cult pela história romântica que o acompanha em torno do hiato entre a realização até o seu lançamento, como se fosse um filme perdido achado anos depois.

Como o título já antecipa, Shinji é um japonês musculoso que precisará usar força bruta para sobreviver no “inferno”.

Durante um treino, Shinji recebe a ligação da ex-namorada. Ela é uma jornalista pesquisando casas assombradas. A garota lembra que Shinji havia mostrado uma vez uma foto do pai dele com uma mulher misteriosa na frente de uma casa. Esta residência pertence ao pai de Shinji, mas está fechada há décadas. O ex-casal parte para o local, acompanhado de um médium.

Após o trio entrar na casa, o passado do pai de Shinji com a mulher misteriosa vem a tona trazendo uma maldição ocasionada por um espírito vingativo que tentará possuir os invasores do local.

O filme é um gore trash com sangue espirrando de forma incessante do meio até o final da projeção. Tudo é muito exagerado e a tonalidade vermelha predomina. Os efeitos são básicos, condizentes com a produção, sendo praticamente stop-motion e alguns recursos simples de câmera.

Trash assumido, a história tem toques de humor, como uma sequência em que Shinji precisa usar halteres, pesos e barras de ferro para se defender. A criatividade “esquisita” sempre marcante nas produções orientais ( Hausu, por exemplo ) ajuda a manter o interesse do espectador.

Não é um filme indicado para qualquer um mas quem gosta de esquisitice com certeza terá um bom passatempo com o filme. De resto, é deixar o tempo dizer se o filme entrará na galeria dos filmes cults ou se será apenas mais uma baixa produção na lista dos filmes que quase ninguém viu.

NOTA DO EDITOR: 7,5

 

CENAS MEMORÁVEIS: ( Podem conter spoiler )

– Cenas com olho, sempre aflitivas

 

           

 

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